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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Realidades Cabulosas: Ano 1


Que alegria ver a primeira coletânea que editei — com o meu amigo Lucas — virar realidade, após um ano de preparação e de cuidados...! Quando fui convidado pelo pessoal do Leitor Cabuloso via Lucas para ajudar com os contos, e dei a ideia de que aquelas histórias pudessem integrar uma coletânea, até, sinceramente, achei que a coisa não fosse virar. Que algo fosse, no meio do caminho, empacar. Já comecei muitos projetos legais que, por dependerem de outras pessoas, acabaram parando; no entanto, é muito bom ver esse dar certo em tantos níveis que é até difícil pôr em palavras o quanto ele me alegra.


Primeiro ponto que me traz satisfação: eu sinto que realmente estou fazendo algo pela literatura nacional. Revisando, ajudando a publicar contos com mais cuidado do que geralmente se vê por aí. Descobrindo bons autores e/ou boas histórias… Ajudando a abrir um espaço para os novos autores serem publicados, através da ajuda de um site maior, mais conhecido, de uma forma melhor do que eu poderia fazer sozinho.

Segundo: estou valorizando os contos — formato que eu amo. Histórias marcantes contadas de uma vez; porradas na cara; as melhores deixando um resíduo que dura, na mente e no coração. Entendo que certas histórias precisam de tempo para serem desenvolvidas, por isso precisam de mais palavras, mas com os contos pode-se realizar coisas novas, diferentes, mais malucas, mais rápidas, ou menos tradicionais, ou… bem, vocês entenderam.

Terceiro: O pontapé inicial no selo Cabuloso Livros, que, espero, vá ajudar a valorizar ainda mais a literatura nacional — com um destaque todo especial para o formato de histórias curtas.

Quarta alegria: Ter contado com a participação de dois autores convidados fantásticos, a Priscilla Matsumoto, autora do excelente Ball jointed Alice, e o Fábio Fernandes, grande autor de FC e de 3 livros que eu li só no ano passado — a nova versão de Os dias da peste, o ótimo livro de contos Interface com o vampiro, e o necessário De A a Z: Dicas para escritores. Além disso, ter tido escritores já de nome, como o J. M. Beraldo e o português Bruno Martins Soares, enviando contos para o site e consequentemente participando da coletânea.

Dentre outras alegrias, menores e inúmeras, ao longo do ano… Algumas decepções também ocorreram — como a de um autor que não autorizou que o conto entrasse na coletânea, e a capista que pulou fora aos 45 do segundo tempo —, mas o saldo com certeza foi muito mais que positivo!

Introdução (longa…) feita, vamos falar sobre cada um dos contos!


1. Memento mori com Fernet, de Michel Peres

Uma das melhores surpresas de contos recebidos, e possivelmente o melhor conto de ficção científica que li em 2017. Conta a história de Mariana, uma especialista em “cultivar tecidos" — uma tecnologia nova —, e de quando ela conhece Charlotte, uma artista vinda de outro país para mexer com sua vida. Além da escrita ótima, fluida, sem firulas ou vontade de se mostrar por parte do autor, a trama é inovadora, segue caminhos inesperados e apresenta um futuro criativo e visionário. Destaque também para o divertido androide André, o Andréoide.

2. Onironauta, de J. M. Beraldo

Um conto de fantasia do premiado autor de Império de Diamante e sua continuação, Último Refúgio, que saíram pela editora Draco e, no caso do primeiro, ganhou o prêmio Argos. Esse conto se passa no mesmo universo de ambos os romances, e apresenta a personagem Vema, uma onironauta — alguém que viaja pelos sonhos — que tem um trabalho a fazer. Ótimo conto, curto e direto. Deixou a vontade de entrar em seu universo dos Reinos Eternos (e o farei em breve).

3. Eva & Morte, de Joe de Lima

Esse conto de fantasia apresenta uma trama que leva a um plot twist ótimo, e falamos disso — eu, o Lucas e o Matheus Salfir — em um episódio do podcast SobrEscrever. Tem um ritmo bom, foge dos clichês do personagem Morte e, o que percebo só agora, podem rir, é que é o terceiro seguido com uma protagonista do sexo feminino seguido. (O próximo também, haha, que editor de merda eu sou :P)

4. Ziggy Stardust, de Magdiel Araújo

Pensem num conto divertido! Aqui, somos apresentados à “zumbí" Ziggy Stardust, a primeira (de acordo com o seu conhecimento) a ter consciência, saber falar, ler e escrever! E é isso o que ela faz: escreve um diário contando suas desventuras e descobertas. Excelente conto! Vão ler!

5. Defenestrada, de Sonia R. R. Rodrigues

O primeiro conto policial da coletânea. E um dos maiores, justificadamente, para desenvolver a trama. Contudo, não é maçante em momento nenhum, e o ritmo da investigação e das descobertas por parte do detetive Bernardo é muito bem montado, resultando assim num conto inteligente e bastante atual.

6. Nas nuvens, de Fábio Fernandes

Eis o primeiro conto de autor convidado — uma FC também atualíssima, que trata do extremismo conservador para o qual nosso país parece estar se encaminhando. Um bom conto, que usa um elemento que adoro: referências musicais. Aconselho, inclusive, a buscarem as músicas apresentadas no conto, porque valem a pena.

7. Houston, de Bruno Martins Soares

Outro conto divertido e de FC. Não há, nele, uma trama propriamente dita, mas uma extrapolação surrealista sobre um incidente matematicamente possível (ou impossível?). Também há referências para quem as souber encontrar. A escrita do autor é ótima, como se pode também conferir em seus contos na Amazon, em e–book.

8. Ninho do Corvo, de Luis Henrique da Cunha

Um conto de ficção histórica, que pode ser de fantasia ou não, dependendo da interpretação do leitor. O final desse também é interessantíssimo, e o que parece clichê com certeza não é. Muito bem executado.

9. Pat Coelha contra o Porco, de Evelyn E. Postali

Um conto de fantasia divertidíssimo! Eu, ao menos, achei. Apresenta um mundo interessantíssimo, cheio de vida, com background, personagens interessantes, num espaço de tempo curtíssimo, ágil e com personalidade. Ótimo conto.

10. Os presbíteros de São Luís e o santo suicida, de Luís H. Beber

Esse é um conto nonsense, que sei que dividirá opiniões, mas eu, particularmente, considero–o um dos melhores da coletânea. Cheio de referências, de becos sem saída, de informações aleatórias, e ainda assim que constrói trama, dá passado aos personagens, tem humor refinado, críticas ácidas e confunde explicando. Tão bom quanto lê–lo é relê–lo.

11. Cor viva, de Adriana Rodrigues

Outro conto de literatura realista, mas dessa vez mais intimista. Apresenta uma personagem que tem que achar um sentido em continuar após a perda de alguém importante. Muito bem escrito, com um tom até opressor. Bem bom e bem forte.

12. Filosofia trágica, de Matheus Salfir

Mais um conto policial, mas dessa vez constituído inteiramente por diálogos. Quando recebemos o conto, demos uma ideia ao autor: já que não há nenhum tipo de narração ou mesmo verbo dicendi, por que não remover as pontuações de diálogo...? Ele removeu, gostou e assim ficou. Além disso, traz interessantes reflexões filosóficas, e um personagem em alta nos dias de hoje: aquele que se aproveita da credulidade dos outros.

13. A filha do Sol e da Lua, de João Paulo Effting

Um conto interessante de fantasia, de temática indígena, de certa forma até pouco comum na produção nacional, mas que tem tido mais representação ultimamente. Mostra a história da personagem Inca–Mair, desde criança diferente dentre os da sua tribo.

14. A verdade é apenas uma, de Priscilla Matsumoto

Este é um conto curioso. Intimista, e digo que é curioso porque me parece que pode encarado tanto como ficção realista quanto ficção científica, com realidades alternativas que podem ser físicas ou simplesmente sonhadas, imaginadas, esperadas. Um conto muito bom, mas que, a meu ver, exige mais de uma leitura para ser absorvido em totalidade (e não que isso seja ruim, claro).

15. Um café e o fim do mundo, por favor, de Rafael Peregrino

Um conto de terror, o primeiro a dar as caras na coletânea, mas um terror psicológico, de inspiração lovecraftiana e meio nojento, haha — mas ainda assim muito divertido. Na verdade, o título é o desejo antigo de muita gente :P Além disso, o conto tem um ritmo muito gostoso de ler.

16. Quantos, de Daniel dos Santos Soares

Outro conto realista e intimista. Confesso de me fez lacrimejar, haha. Muito bonito, e tem uma estrutura muito interessante, intercalando pontos de vista de forma ágil até que tudo faz sentido e se junta no final. Hoje, relendo, eu não me emociono tanto, mas talvez no dia da primeira leitura eu estivesse no mood certo para ser tão atingido.

17. Saco de vermes, de Priscilla Rúbia

O segundo conto de terror da coletânea, e que traz de volta uma lenda urbana bem brasileira, e que, ao meu ver, estava meio esquecido dentre todas as figuras do nosso rico folclore, seja urbano ou rural. Traz uma sociedade distópica — mas não impossível em seu aspecto político, dado o rumo das coisas —, e um casal terrível, daqueles que, como se diz por aqui, é melhor perder do que achar.

18. Um jeito de arrumar as coisas, de Lucas Rafael Ferraz

E finalmente os contos dos organizadores — porque, depois de tanto trampo, nós merecemos, né? O conto do Lucas é facilmente encaixável em qualquer temporada de Black mirror, e parece muito próximo de nossa própria realidade. Traz uma reflexão também validíssima em nossa sociedade, a respeito das relações interpessoais e das “bolhas" em que vivemos.

19. Enquanto vagueio pelas cinzas do mundo, de eu mesmo :)

E, para encerrar, o meu conto. É uma ficção fantástica, e me surgiu no formato de um questionamento: e se uma pessoa fosse sumindo aos poucos? Tipo, primeiro perdendo objetos, depois momentos, depois todo o resto...? Então, escolhi a pobre protagonista Nicole para encenar essa tragédia. Ela deve estar por aí, ainda; você é que não lembra dela. Ah, e, como curiosidade, pesquise o título no Google; vale a pena ;)


Enfim; creio que foi um trabalho bem–feito, publicado com honestidade — nenhum valor foi cobrado, de ninguém, e a versão em e–book é de download gratuito, aqui, e a versão física, que pode ser comprada aqui, custou só o que o Clube de Autores cobrou, como pode ser visto nesse print screen da tela de direitos autorais:


O negócio, agora, é começar a trabalhar no Ano 2 das realidades cabulosas, primeiro no Leitor Cabuloso, depois na coletânea, e partir para voos maiores — aguardem mais novidades sobre o Cabuloso Livros, que não perdem por esperar!

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