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Nesse post você tem acesso a todas as minhas obras publicadas :) Os links para compra / leitura / download estão embaixo de cada imagem. ...

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Podcasts: Alô Ténica, AntiCast e BrainCast


Continuando os posts onde apresento os podcasts que eu assino, trago agora três programas dos quais não ouço absolutamente tudo o que lançam, mas que, ainda assim, gosto bastante.



Esse programa é produzido e apresentado pelo Léo Lopes, e é um spin–off do podcast Rádiofobia. Nele, o Léo dá dicas e divide sua experiência no tocante à edição, produção e publicação de podcasts — ou seja, é praticamente uma metalinguagem, um podcast sobre podcasts. O "ténica", sem o C, inclusive, é grafado e falado assim propositalmente, como um jargão. O Léo Lopes é um excelente produtor e comunicador, e acompanhar esse programa é indispensável para quem se dedica ao formato. O Alô Ténica é um podcast mensal, distribuído por um feed próprio mas também pelo feed do Rádiofobia.


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O AntiCast é um dos maiores podcasts brasileiros da atualidade. É apresentado pelo Ivan Mizanzuk e começou como um podcast de design — ou de antidesign —, mas acabou evoluindo para ser um programa sobre... tudo, desde memes até política, religião, literatura e cinema. São sempre programas longos, beirando as 2 horas de duração, e é semanal. Como não tem muita edição — no máximo a vinheta inicial, uma trilha de fundo e nada mais —, às vezes eles gravam sobre temas urgentes até mesmo um dia antes do lançamento do episódio. O Ivan deixa os convidados bem à vontade para exporem suas opiniões, mesmo sendo polêmicas, e isso traz um diferencial bem legal para o programa. Eu só não ouço mesmo os episódios sobre política, porque já estou, honestamente, de saco cheio disso, e filosofia, por não me interessar muito pelo tema quando discutido a fundo como eles fazem.


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Esse é o principal podcast do portal B9. É essencialmente sobre comunicação e entretenimento, e é apresentado pelo time Carlos Merigo, Luiz Yassuda, Cristiano Dias, Guga Mafra e Luiz Hygino. Os episódios do BrainCast têm em torno de 1h30, e são bem dinâmicos e descontraídos. Só não ouço tudo porque não são todos os temas que me atraem, não sendo tão interessado na área de comunicação, e tendo a ouvir os temas mais genéricos que acabam não sendo abordados pelos meus programas preferidos.


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Podcasts: 30:MIN, 99Vidas e Agentes do L.I.V.R.O.


Como no post sobre os podcasts que eu ouço eu disse que comentaria sobre cada um, este é o primeiro post dessa série, onde apresentarei 3 programas dos quais ouço tudo o que lançam.



Este é um podcast de literatura, apresentado por uma equipe fixa de três pessoas — o Vilto Reis, a Cecília Garcia e o Jefferson Figueiredo — e editado pelo Luís H Beber, que eventualmente participa também das gravações. Eles tentam sempre lançar programas dentro da casa dos 30 minutos de duração, e são os herdeiros, digamos assim, do antigo podcast LiteratusCast. São publicados pelo site Homo Literatus. Eventualmente aparecem convidados, mas não é o padrão.

O foco desse pessoal é mais a literatura realista, a mainstream, tendendo para a literatura clássica. Existem tanto episódios que falam de apenas uma obra como episódios falando de autores, temas, listas e duelos muito engraçados entre os participantes, onde um tenta desmerecer a escolha do outro, dentro de um tema. No começo acho que eles exageravam um pouco nas piadas, mas agora eles encontraram um equilíbrio legal. Altos níveis de japonezices, sapos alucinógenos e complexos de Napoleão inclusos.


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Dois temas são recorrentes na minha playlist de podcasts: literatura e videogames. Nesse segundo tema, o 99Vidas é o maior podcast do Brasil. Eles têm uma longa tradição — já estão no episódio 276 —, uma enorme base de fãs (às vezes apaixonados até demais) e lançaram até mesmo um game beat'em up side-scrolling (traduzindo kkk: um jogo de briga de rua em progressão lateral) baseado nos participantes do programa e nas piadas internas dos episódios.

O 99Vidas fala essencialmente de jogos antigos e da nostalgia relacionada a eles. Existem os episódios que falam de apenas um jogo ou uma personalidade do mundo dos videogames; os 2-Pak, que falam de dois jogos geralmente menores; os 4x4, que apresentam quatro coisas — jogos ou consoles, às vezes; os Estilo 99Vidas, que falam de coisas saudosas da época da infância; e os Pancadão, com trilhas sonoras dos jogos. Como todo programa grande, de qualquer gênero ou mídia, os quatro podcasters — Jurandir Filho, Izzy Nobre, Evandro de Freitas e Bruno Carvalho — parecem ter, em igual número, admiradores e haters.


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E voltamos à literatura. Esse é um podcast que eu gosto muito, porque a dinâmica dele é diferente — é sempre um bate-papo entre os dois hosts, Melanie e Thiago (à semelhança do gringo Sword & Laser e do brasileiro O Drone Saltitante, dos quais vou falar futuramente). Eles tratam exclusivamente de literatura especulativa — fantasia, ficção científica e terror. Infelizmente eles estão num hiato desde março, e espero que não desistam :(

O mais legal é que eles têm um entrosamento muito gostoso, e falam tanto de autores e obras quanto de aspectos da escrita. E eles fazem direto tags e listas, que todo mundo adora :D


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domingo, 6 de agosto de 2017

Um trecho marcante de Antônio Xerxenesky


“Quer uma menina para a noite? Ou prefere alguém mais experiente, alguém que esteja à altura de um homem como o senhor…?”
E escorregou a língua na orelha de Thornton, num prolongamento da palavra “senhor”. 
A face do xerife corou inteira. Não ficou claro se por vergonha ou raiva. Ele se levantou, jogando a mão de Maria para o lado, e parado ficou, como para dizer algo, mas nada disse. Tentou exibir o maior desprezo que era possível apenas com o olhar, pois homem vivido era Thornton. 
Ele sabia que naquela terra, que naqueles tempos, o que importava era o que os olhos diziam. Palavras não tinham significado para as pessoas. Eram mal utilizadas. Eram confusas. Eram pervertidas e profanadas por monstros que não sabiam o que fazer com a linguagem. O relevante estava na curvatura da sobrancelha, na tensão dos músculos da face, nas rugas que se formavam na testa. Na paisagem do rosto. Cada rosto era uma montanha 
ou uma floresta 
ou uma planície 
ou um litoral 
ou uma costa 
ou um cânion 
ou um deserto 
como o que cercava Mavrak.

Antônio Xerxenesky — Areia nos dentes



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Podcasts que eu ouço


Quem me acompanha há mais tempo aqui no blog sabe que a mídia podcast tem ganhado um espaço cada vez maior no meu coração (e no tempo escasso tempo, hehe). Tanto é que eu comecei um podcast próprio — o Rock Pelo Mundo, no site Agregarium, onde eu apresento bandas de rock de diversos países —, e co–criei um com meus amigos Lucas e Matheus — o SobrEscrever, no site Leitor Cabuloso, onde discorremos sobre o ato de criar histórias com palavras.

Assim sendo, acho justíssimo apresentar a vocês os podcasts que eu acompanho, e talvez angariar mais alguns ouvintes para eles :)

Vou separá–los em duas categorias: aqueles que ouço todo e qualquer episódio; e aqueles que ouço dependendo do tema. Não que eu goste mais de uns do que dos outros, é que... mentira, eu gosto mais de uns do que dos outros mesmo, fazer o quê, haha, tenho que ser honesto. Além disso — além de apresentar a lista deles, agora —, vou esmiuçá–los um pouco mais ao longo de posts vindouros, até completar TODOS OS 49 PODCASTS QUE ACOMPANHO :)

Então eis as listas:


PODCASTS DOS QUAIS OUÇO TUDO
(estão em ordem alfabética; não de preferência)
  1. 30:MIN
  2. 99 Vidas
  3. Agentes do L.I.V.R.O.
  4. Biblioteca de Bolso
  5. CabulosoCast
  6. Caixa de Histórias
  7. Clube do Livro CBN — José Godoy
  8. Crazy Metal Mind
  9. Curta Ficção
  10. Escriba Café
  11. Ex Libris
  12. Ghost Writer
  13. JPC Cast
  14. Lançamentos do Metal
  15. LiterárioCast
  16. LivroCast
  17. O Drone Saltitante
  18. Os 12 Trabalhos do Escritor
  19. Papo de Autor
  20. Perdidos na Estante
  21. Pouco Pixel
  22. RapaduraCast
  23. Sword & Laser
  24. Trasgo
  25. Três Páginas
  26. Writing Excuses

PODCASTS QUE OUÇO DEPENDENDO DO TEMA
(também em ordem alfabética)
  1. Alô Ténica
  2. AntiCast
  3. BrainCast
  4. Canal 42
  5. Covil de Livros
  6. Debate de Bolso
  7. Dragões de Garagem
  8. Edição Rápida
  9. Gente que Escreve
  10. Hora Alucinógena
  11. LexCast
  12. Marca Página
  13. Matando Robôs Gigantes
  14. Mundo Freak Confidencial
  15. NerdCast
  16. O Podcast é Delas
  17. Papo Lendário
  18. PapriCast
  19. Rádiofobia
  20. Rádiofobia Classics
  21. Reloading
  22. SpheraCast
  23. WattCast

Como vocês podem perceber, todos os nomes estão linkados para os devidos sites; logo, aguardem, em breve, o começo dos comentários sobre cada um ;)

sábado, 22 de julho de 2017

Extemporâneo, de Alexey Dodsworth


Se há uma coisa que é difícil eu fazer é comprar livros na pré–venda. Sei lá, não vejo urgência em ter algo que não seja de primeira necessidade — e, queiramos ou não, livros não o são. Para que isso aconteça, ou eu tenho que estar esperando desesperadamente um lançamento — cof cof, Os ventos do inverno, cof cof — ou o preço da pré–venda tem que estar lá embaixo. Pois bem: com Extemporâneo não aconteceu nenhum dos dois. Então por quê, Rahmati, você comprou esse livro antes do lançamento?

Simples: porque Alexey Dodsworth se encaminha perigosamente para ser o meu autor de ficção científica nacional favorito. Só não o afirmo abertamente porque ele tem um páreo duro no Luiz Bras.


Extemporâneo conta a vida de uma pessoa como todos nós, que acordamos todo dia num corpo e numa realidade diferente. A grande diferença é que o/a protagonista se lembra disso e nós não. (Ou, ao menos, é isso o que o/a protagonista nos diz.) Mas por que eu estou usando esse “o/a”? Uai, eu não disse que ele/ela acorda todo dia num corpo diferente? Mas tem, ainda, um elemento complicador: não é “todo dia”. É sempre dia 14 de janeiro de 2015. Os dias passados e futuros são ilusões, histórias criadas — pelo seu cérebro ou não — para dar a impressão de continuidade. Pense: você sempre vive no hoje, não é? O ontem é uma lembrança — que pode não ser real —, e o amanhã é só — e sempre — uma expectativa.

Assim sendo, nosso(a) digníssimo(a) protagonista acorda, para começar o dia, no começo do livro, no corpo de George Becker, um brasileiro que vive em uma realidade onde o nazismo é a filosofia reinante no mundo, e há um homem, amarrado nu na sala de estar, sendo torturado pela namorada e por ele — ou, para ser mais exato, pelo “eu” em que ele acaba de cair. Como eu disse, o/a protagonista é diferente dos outros; ele/ela demora a retomar as memórias do novo corpo, e ainda está lutando, nesse início, com as memórias da dançarina espanhola de dança do ventre que era sua identidade antes de dormir.

Mas chega da história e vamos à narrativa. Dodsworth, naturalmente, a constrói com maestria. “Naturalmente” porque eu já esperava isso, por ter lido o excelente Dezoito de Escorpião. Os elementos da história vão sendo apresentados no ritmo certo e de maneira muito eficaz para manter o interesse e aumentar a tensão com a situação esdrúxula que o/a personagem passa. Ele escreve muito bem, também, sem usar de malabarismos para “enriquecer o texto” — o que, invariavelmente, acaba empobrecendo–o. Ele diz o que precisa dizer com as palavras necessárias, assim como Gaiman. A única ressalva aqui é quanto ao trabalho de revisão da editora Presságio, que deixou passar muitos (muitos mesmo!) errinhos de digitação e diagramação. (A minha cópia teve até mesmo um capítulo inteiro repetido.) Há de se ter muito mais atenção quanto a essas coisas, senhores editores e revisores.

No entanto, é claro que isso não diminui a qualidade da obra. Dei 5 de 5 estrelas no Skoob, porque de fato é isso que ela merece. Extemporâneo desconstrói preconceitos, clichês e expectativas de maneira deliciosamente perturbadora :)

Arte de Alexandra Calisto. Não é da obra, mas tem tudo a ver :)

Ah, e já ia esquecendo: quem leu o Dezoito de Escorpião vai gostar ainda mais de Extemporâneo :D

.: E este acabou sendo, sem querer, o quarto livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros, por se encaixar no item “Um livro que se passe em diferentes reinos”! :.

sábado, 15 de julho de 2017

Um trecho marcante de Alexey Dodsworth #2


Pelo visto, essa realidade é como a maioria das outras: uma Inglaterra governada pela rainha Diana e pelo rei Charles. E eu que cogitei ter ido parar nos Estados Unidos! Esse é outro aspecto curioso de acordar em realidades alternativas: as pessoas mudam o tempo todo, tanto quanto eu mudo. Quase toda identidade é contingente. Entretanto, por alguma razão que me escapa, algumas pessoas parecem ser necessárias. Na maioria dos mundos, há uma rainha Diana e um rei Charles. Em alguns poucos, Diana foi assassinada, ou cometeu suicídio, ou fugiu com amantes de ambos os sexos. Sempre há, todavia, uma Diana. Em algumas poucas realidades bizarras, a rainha da Inglaterra de 2015 ainda é Elizabeth em uma versão assustadoramente idosa que dá a impressão de uma múmia ressurreta. Quase sempre há um Jesus Cristo, um Napoleão, um Hitler, um Albert Einstein. E um Michael Jackson! Eu adoro os mundos em que Michael Jackson é um cantor famoso, mas, apesar de ele sempre existir, nem sempre é cantor. Em uma das vezes, pelo que lembro, Michael Jackson havia morrido aos nove anos de idade, vítima de maus tratos parentais, e não passava de um nome num recorte velho da página policial de um jornal americano. A realidade, às vezes, é uma verdadeira bosta. Ora, a quem eu quero enganar? A realidade é sempre meio que uma bosta, a diferença está no tipo de fedor que ela exala.

Alexey Dodsworth — Extemporâneo



Só quero avisar: agora que estou na página 57, e já estou apaixonado por esse livro!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Teorema de Mabel, de Matheus Ferraz


.: Este é o segundo livro do Desafio Literário Clube de Autores, de um total de 7 livros! :.


Estou me animando com esse desafio literário! A primeira obra que li já foi a ótima Zé Calabros na Terra dos Cornos, e agora encontro essa também muito boa Teorema de Mabel…! Mas Rahmati, você está dando spoiler da sua avaliação…! Ué, e daí? Tenho obrigação de fazer resenha certinha? :P

Então, já sabendo que eu gostei bastante da obra, leia para descobrir por quê.


Mabel é uma menina que saiu do interior de Minas e foi para o mais–interior–ainda, em busca de um sonho: ser datilógrafa do maior escritor brasileiro vivo, Milton Dantas. (Aqui faço o primeiro parêntese: fui descobrindo aos poucos a época em que a obra se passava, através de poucas pistas soltas ao longo da trama. Ainda não decidi se gostei ou não disso.) Toda menininha, toda sonhadora, toda idealista, Mabel, ao chegar à residência do escritor, no entanto, se vê diante de uma realidade que não era, de forma alguma a que ela esperava. Ela fora escolhida por um motivo — que envolve sua máquina de escrever —, e essa revelação poderia, de fato, acabar com toda a sua essência.

Parece uma ideia promissora, não é? Qual leitor não quer ler histórias sobre livros, escritores e outros leitores? É praticamente um gênero esse tipo de obra, não? A dúvida é: teria Teorema de Mabel sido bem executada, a ponto de nos deixar imergir na trama e apreciá–la devidamente?

E eu digo: com alguns poucos erros, sim! Tanto é, que eu li o livro em praticamente “duas sentadas”, como se diz. Carece de uma revisão mais cuidadosa, mas isso não tira em nada o brilho da trama.

Então falemos dela. Eu não esperava que o livro fosse se tornar o que se tornou. Como eu disse no post do desafio, linkado lá em cima, eu imaginava que seria um realismo mágico mais light, como nos romances do Carlos Ruiz Zafón, mas Teorema não é nada disso! É um livro realista, e já percebi isso logo nas primeiras páginas. Então comecei a pensar que seria uma trama como a maioria das obras mainstream, com foco na forma e não na trama, mas a coisa seguia tão ágil que também não demorei a perceber que essa minha segunda visão também estava errada! Teorema tem uma trama sólida, interessante e bem armada. As personagens surpreendem, são verossímeis e as reviravoltas do final são surpreendentes mas nem um pouco exageradas. Tudo é construído de maneira crua e crível — talvez os dois melhores adjetivos para descrever essa obra, e em suas melhores acepções.

Teorema de Mabel não só merece a leitura como merece sair por alguma editora. Esperemos agora as próximas obras do autor, Matheus Ferraz, que parece ter um futuro promissor.

Nota 3,5 de 5.


domingo, 25 de junho de 2017

As Formigas, de Bernard Werber


.: Este é terceiro livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros, e é o item “Um livro com animais falantes”! :.


Confesso que li As formigas sabendo o que dele esperar por causa de um erro que cometi no passado. Há alguns anos, encontrei um interessante volume num sebo intitulado A revolução das formigas; comprei–o e li… e só depois descobri se tratar do 3.º volume de uma trilogia. Pois é. A beleza de tudo é: isso não tirou nem um pouco do prazer da leitura, porque são meio que volumes independentes. Ou, ao menos, o é o terceiro, porque não li o segundo para saber. Então, para começar a sanar o erro, comprei o primeiro volume, do qual aqui vos falo.


As formigas tem duas linhas narrativas muito distintas, e muito interessantes. Em uma delas, uma família herda uma casa, de um tio cientista desaparecido, onde há um porão lacrado e um bilhete deixado dizendo claramente para não o abrirem de forma alguma… e é óbvio que, por isso mesmo, eles os abrem. A partir daí, todos que entram buraco abaixo desaparecem — o pai, a mãe, o filho, os bombeiros, os policiais…

Na outra narrativa, acompanhamos a vida das formigas da capital Bel–o–kan. Sim, a cidade tem nome. Descobrimos, nessa parte, que as formigas têm uma sociedade muito estruturada, trabalham e descansam, conversam sobre tudo (não através de sons, mas de feromônios, que são emitidos e captados através de suas antenas), e que também têm, apesar do forte senso de comunidade, individualidade e vontades próprias — inclusive de explorar o mundo e conhecer coisas novas. Acompanhamos as guerras desse povo, seus amores e aventuras sexuais (algumas bem bizarras, por sinal), suas traições, segredos e mistérios… e é aí que essa parte faz eco com a outra: esse livro, além de uma fantasia / ficção científica, é um romance policial e um thriller. Somando ao mistério dos humanos desaparecidos, há o das formigas com cheiro de rocha que estão tentando (e conseguindo) matar os protagonistas insetos do livro, infiltrados dentro de Bel–o–kan.

As formigas foi um romance tão gostoso de ler quanto o terceiro volume da trilogia. Claro que Bernard Werber não é o novo Victor Hugo da literatura moderna, mas sua prosa simples não se torna um ponto fraco justamente por causa de sua criatividade — especialmente ao intercalar, separando as cenas das formigas das dos humanos com inserções da Enciclopédia dos saberes relativo e absoluto, livro escrito pelo tio cientista desaparecido, que discorre sobre as diferenças e semelhanças entre as espécies dos humanos e das formigas, trazendo sempre reflexões muito pertinentes e inteligentes.

Merece cada décimo da nota 4 de 5 que eu dei no Skoob ;)

sábado, 10 de junho de 2017

Mundos paralelos, organizada por Felipe Sali


Todos que acompanham o blog sabem que eu sempre valorizo a literatura nacional — já fiz resenhas de livros físicos, e–books e, inclusive, contos do Wattpad. Qual foi a minha surpresa, então, quando vi a coletânea Mundos paralelos, em parceria da Mundo Estranho da editora Abril justamente com o site Wattpad, numa banca de revistas! É claro que comprei.


Nessa coletânea, o organizador Felipe Sali juntou autores famosos no Wattpad — que, todo mundo deve saber, é uma plataforma / rede social de escritores — e pediu–lhes que escrevessem um conto inédito para a obra. É claro que, justamente graças à proposta de ser também uma rede social, onde os “likes” contam muito (e aqui são votos), nem sempre os mais famosos são os que necessariamente escrevem melhor — o são, na verdade, aqueles que têm um maior engajamento com o seu público. Longe de mim dizer que todos os famosos escrevem mal ou que os que escrevem bem não são reconhecidos; só estou dizendo que essa acaba não sendo a regra da plataforma.

Assim sendo, comprei a coletânea justamente para avaliar isso: a qualidade dos autores selecionados e dos contos escritos… E já devo dizer que só confirmei o que imaginava: que abundam as boas ideias estragadas por más execuções, mas que haveria, claro, contos bons, apesar disso.

Para ser mais específico, vou fazer um breve comentário sobre cada um dos 10 contos. Espero não irritar ninguém, mas, se isso acontecer, paciência.

Caça e caçador, de Rô Mierling

De cara, já a confirmação do que eu temia: escrita quase amadora, ideia “inspirada” pela moda de distopias adolescentes — onde pessoas têm que se matar por causa do governo malvado —, personagens estereotipados e trama previsível. O final melhora um pouco a coisa toda, mas, ainda assim, merece uma nota 2 de 5.

Alegoria da caverna, do organizador Felipe Sali

Esse é melhor do que o primeiro. A escrita melhora, e a história é mais interessante, uma ficção científica que trabalha, como o título sugere, e a possibilidade de se contentar com ilusões agradáveis ao invés da dura realidade. É um bom conto, mas senti que faltou aquele tchan que fisga o leitor. Nota 3 de 5.

Sobrenatural, de Lilian Carmine

Esse conto me deixou com um sorriso no rosto! A escrita não é nada que se diga memorável, e é bem leve especialmente por narrar o ponto de vista de uma adolescente, mas a história de fantasia, além de tratar de uma coisa que sempre me deixa pensando — do tipo, “como seria se…” —, tem um finalzinho que realmente me pegou de surpresa. O conflito se resolve muito rápido para o meu gosto, mas tem referências legais. Nota 3,5 de 5.

Amigo de lata, de Aimee de Oliveira

Um conto bem interessante por causa da abordagem psicológica da ficção científica. Nesse ponto da leitura, eu estava pensando “nossa, colocaram os contos numa ordem de o pior para o melhor”, mas quem dera se fosse assim. A escrita de Aimee é boa, a trama se desenvolve numa boa velocidade e a relação da protagonista com o “amigo de lata” do título é gostosa de se ler — e o final é bom. Nota 3,5 de 5.

Perfeito problema, de Clara Savelli

Aí voltamos aos problemas do primeiro conto: escrita; trama inverossímil; distopia adolescente… só que ainda mais inverossímil e adolescente do que aquele. Não tem nem a salvação do final interessante. Nota 1,5 de 5.

Abbie, de Marcus Barcelos

Ao que tudo indica, esse conto diz–se de terror e trata de possessão por um espírito maligno. “Ao que tudo indica” porque eu desisti do conto no meio. Não que seja exatamente ruim; acontece que começa com uma escrita tão chatinha e tanto infodump para um conto curto que, honestamente, eu já não me interessava pelo que aconteceria antes mesmo que acontecesse. Só acho que, em um conto em que as coisas demoram a começar a acontecer, a escrita deve garantir a permanência do leitor. Nota 1 de 5.

Memórias perdidas, de Juliana Parrini

A ideia desse é legal — uma cientista que se torna cobaia do próprio experimento em prol da humanidade e acaba mudando de ideia por egoísmo. Acontece que faltou técnica para passar isso para o papel de maneira emocionante. Tudo acontece na ordem “certa”, digamos, mas o conto me pareceu meio como uma comida de restaurante popular — o tempero está lá, mas… falta algum cuidado na preparação. Nota 2,5 de 5.

Liberdade comprometida, de Thati Machado

Nesse conto, voltamos mais uma vez às distopias de governos malvados, mas aqui a autora, além de escrever melhor, traz uma visão mais interessante às coisas. Existe um questionamento válido às questões de cores de pele e classes sociais, e a mensagem que o conto passa não é rasa quanto a dos outros contos do mesmo gênero na coletânea. Nota 3 de 5. (Obs.: Só o sobrenome da personagem poderia ser melhor, né, dona autora? “Condon”, jura?)

Perpetuação, de Mila Wander

Outra distopia. Falar o quê, né? Está na moda mesmo. Outra coisa que está na moda é escrever no tempo verbal presente. Mas concordo que nenhum desses aspectos é um ponto negativo por si. O que os torna ainda mais maçantes é que não há muita coisa que ajude aqui — a trama, ou a escrita, ou os personagens, ou o conflito que se resolve de maneira rápida e boba… Nota 1,5 de 5.

Fragmentos, de Chris Salles

A trama desse conto é mais interessante — nela, a protagonista, ao contratar uma empresa de teletransporte, descobre que, na verdade, ao invés de levar uma pessoa do ponto A ao ponto B instantaneamente, eles criam uma cópia da pessoa no ponto B. Acontece que a boa premissa se perde num desenvolvimento confuso e apressado. Nota 2,5 de 5.


No final, então, a média é de 2,4, mas vou dar mais 0,5 pontinho por causa do projeto gráfico, que é lindo, com um verde–água muito bonito no miolo todo, e com uma ilustração para cada conto — mas é uma pena que não é só de projeto gráfico que vive a literatura. Faltou aqui um bom revisor — tanto nas questões de ortografia e gramática quanto nas de trama e verossimilhança das cenas —, e isso, infelizmente, reduziu muito a qualidade que a obra poderia ter. Nota final de 2,9 de 5.

Sinto muito, Wattpad, mas ainda não foi dessa vez que você me convenceu a dar atenção aos usuários que ostentam suas milhares de leituras.

¯\_(ツ)_/¯

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Um trecho marcante de Jeff VanderMeer #2


Você deve perceber quanta angústia tudo isso me fez sentir. Tudo o que tínhamos eram os relacionamentos dentro da empresa. Todas as informações vinham de uns para os outros. O que esperava por nós a cada noite na cidade, não suportávamos descrever. 
Esses funcionários haviam estado em meu apartamento. Eu tinha compartilhado meu aumento com eles. Tinha passado os feriados tanto na casa de Mord quanto na de Leer, apesar do perigo das ruas. Nós tínhamos feito caminhadas pelos edifícios da vizinhança como desculpa para almoços longos. Mord dividiu comigo a triste situação de sua esposa meio plástico, meio carne. Leer contou sobre sua infelicidade em casa, com um marido que preferia enfiar enguias de memória em seu reto a passar algum tempo com ela. Eu tinha partilhado minha solidão, de como era difícil encontrar o amor se alguém não o tivesse trazido com ele enquanto fugia da desintegração do mundo. Tinha mostrado a eles as poucas fotografias que eu ainda tinha de meus pais durante suas férias em algum lugar exótico perto do mar, colunas de mármore atrás deles. As ruínas de sorrisos desbotados, os quais tinha que interpretar tanto. Nós tínhamos falado tanto sobre o quanto perdemos da rigidez dos velhos tempos, o quanto a qualidade fluida do que acontecia agora, em casa e no escritório, nos assustava, não importando o quanto tentássemos negar. Como ninguém que tivesse nascido agora poderia entender o quão diferente tudo tinha sido, uma vez. 
Por essa razão, por termos sido tão chegados por tanto tempo, culpo Scarskirt pelo meu isolamento crescente. Era lindíssima e animada e todos a amavam, mas agora acredito que ela escondia uma ferida secreta de nós, que já estava marcada muito antes de nos conhecermos. Que nunca ligou para ninguém e cobiçava meu trabalho desde o momento em que foi contratada, apesar de minha simpatia. Apesar de eu ser tão aberto. Apesar do fato de eu ter dividido todos os meus besouros de treinamento com ela. Não alterei um único antes de entregá–los a ela. Três ou quatro empregados morriam todo ano de besouros envenenados dados por seus treinadores. Mas eu a tinha aceitado em meu grupo, sem maldade em meu coração. 
No entanto, minha confiança agora significava meu isolamento. Meu único consolo vinha do meu escritório, onde ainda controlava meus besouros, e a cabeça falante de crocodilo que fiz me contava piadas quando me sentia deprimido.

Jeff VanderMeer — A situação



quinta-feira, 18 de maio de 2017

Zé Calabros na Terra dos Cornos


.: Este é o primeiro livro do Desafio Literário Clube de Autores, de um total de 7 livros! :.

Quando eu me propus a iniciar esse desafio, de ler obras autopublicadas pela plataforma Clube de Autores, confesso que imaginei que encontraria apenas obras cruas. (Supremo egocentrismo de minha parte? Estaria eu achando que somente a minha obra estaria bem finalizada? Que feio…) Assim sendo, comprei o Zé Calabros na Terra dos Cornos porque achei que seria a mais divertida para começar, e caí do cavalo com meus preconceitos, porque o livro é um puta livro bom.


Acertei, pelo menos, na parte do divertido — pensem num livro engraçado e com cenas hilárias…! A história acompanha o personagem principal, o Zé Calabros, desde o momento em que ele salva um “náufrago” que está prestes a morrer afogado, e passando pelos principais momentos do passado do protagonista, que o levaram a ser quem é. Acontece que o tal náufrago é uma moça, Mara'iza, de um império distante e, assim com a terra de Zé, a Cornália, é análoga ao nosso Nordeste, a de Mara é análoga ao Japão — mas, ainda assim, tudo com um curioso toque de nordeste, e isso é muito bem construído. Aliás, a construção de mundo do autor, Tiago Moreira, é incrível. Além de ele escrever muito bem, criou uma terra fantástica, cheia de criaturas mágicas conhecidas, mas que têm um quê muito peculiar — e muito arretado. Como eu disse, tudo aqui cheira a Nordeste — as partes boas e as partes ruins dele —, e é tudo tão bem amarrado, tão bem descrito e “climatizado” que a verossimilhança e a veracidade que o Tiago passam são irretocáveis. Esses dois personagens são vivos, cheios de personalidade, fortes e humanos… mas não é só na construção dos heróis que o autor brilha — seus vilões, os cangaceiros, são memoráveis.

O principal deles é o Severino Barrida D'Água, o Rei do Cangaço, mas não é o único bem construído: temos os ótimos Petrúquio Fragoso, Velho Tição e sua Sônia Regina, Virgulino Cornoaldo, Chassi de Grilo… Cada um com suas particularidades e motivos. 

(E existem ainda os excelentes e cômicos Svar e Brunnhardt, de nomes tão diferentes do que é visto no livro e dos quais não vou falar muito para não estragar a surpresa, além dos secundários que também têm arco narrativo importante.)

Mas acham que são somente os personagens, a construção do mundo e a escrita os pontos fortes do livro? Pois estão enganados. A trama também é muito bem trabalhada; o caminho dos personagens está entranhado com o background de forma muito bem–feita e, apesar de o livro ter quase 500 páginas, não senti “barrigas” em lugar nenhum. Tudo o que está lá tem motivos, dos flashbacks aos diálogos, das pausas para os descansos às batalhas… e aqui eu quero pontuar mais um ponto forte da obra: as próprias batalhas. O Tiago Moreira não perde tempo narrando trivialidades, mas descreve tudo o que tem que descrever para deixar as cenas de luta — tanto um–a–um como em defesa de cidades — cinematográficas, verossímeis e emocionantes ao mesmo tempo. Destaco três delas: a contra o dragão (sim, há dragões!); a em defesa da cidade de Bota do Judas; e a invasão de São Vatapá do Norte. Aliás, mais uma coisa divertidíssima: os nomes das cidades! Curva do Vento, Bota do Judas, Beira da Larica, Meu Jisuis Cristin, Meiducamin, Meidunada… Excelente! E cinematográfica também é a cena da chegada dos quatro cavaleiros a São Vatapá do Norte.


Mas, calma lá, Rahmati; falando assim, parece que a obra não tem pontos fracos… E então eu digo: não tem mesmo! Não estou brincando; posso colocar o Zé Calabros na Terra dos Cornos quase em pé de igualdade com as obras de fantasia que mais curti nos últimos anos, como O inimigo do mundo e O caçador de apóstolos do Leonel Caldela, ou o Mistborn: O império final do Brandon Sanderson… Tiago Moreira tem tudo para se consolidar como um grande autor nacional de fantasia — é só não deixar, na minha opinião, todo esse brasileirismo que ele apresentou em Zé Calabros de lado nas continuações, que parece que existirão, já que o volume traz o subtítulo As crônicas anímicas na capa… (Bom, para falar a verdade, existe uma ressalva: há um viés político na obra — que não me incomoda muito, por eu não discordar totalmente dele, mas ele está lá. Alguém mais sensível a esse posicionamento pode se incomodar, mas essa é, afinal, uma escolha consciente do autor, e deve ser respeitada (e repito: não tira nadica de nada do mérito da obra)).

Enfim — parabéns para o Tiago Moreira por uma obra de estreia tão incrível, e só torço para que ele seja reconhecido, consiga muitos leitores e continue trazendo aventuras do Zé e da Malinha :D

sábado, 6 de maio de 2017

Memória da água, de Emmi Itäranta


É possível se escrever um romance baseado especialmente em um clima, no sentido de sentimento, vibe, atmosfera? Porque me parece que foi isso o que aconteceu com Memória da água, da finlandesa Emmi Itäranta.


.: Este é segundo livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros, e é o item “Um livro com um dragão na capa”! :.

No mundo retratado por esse livro, finalista do prêmio Philip K Dick, como vocês podem ver na imagem, a China é a grande potência dominadora de um mundo que sofre da total degradação das fontes de água potável. A história se passa primariamente na União Escandinávia, território agora pertencente ao Novo Qian, e mesmo aquele lugar, hoje terra de lagos, é um desertão sem fim. Como o regime vigente é o militarista, são eles, os militares, que controlam todas as (poucas) fontes de água existentes — assim como a história que é contada aos civis, onde todo o passado do mundo foi obliterado dos registros.

E é aí que entra o drama da família Kaitio — o pai, o Mestre do Chá; a mãe; e a menina Noria, a protagonista e narradora. A profissão do pai — realizar tradicionais cerimônias do chá — exige água, e todos nessa sociedade têm cotas muito restritas. O centro da trama é a chegada das investigações ostensivas do exército a esse lugar, e o clima de opressão que as pessoas passam a sentir nesse momento, justamente o momento em que o pai está passando os segredos da arte à filha.

O livro todo é escrito num belo e tocante tom melancólico, que fala de tempos que não mais voltarão, de coisas que foram perdidas em tempos mais prósperos, de felicidades que parecem ser utópicas demais para serem alcançadas. A prosa é muito bem escrita; a autora domina completamente o ritmo e a intenção de seu texto, e ainda que alguns leitores possam dizer que a trama demora a avançar, deve–se ter em mente que não é esse o objetivo; parece–me ser muito mais causar no leitor o estado de espírito necessário para compreender a amplitude do sofrimento dos moradores daquele regime.

É impossível não sentir a tristeza desoladora e impotente da protagonista quando as coisas lhe acontecem — os destinos da mãe, do pai, da amiga, do seu próprio. Memória da água passa uma mensagem preocupante e necessária, e ter chegado até aqui, vindo da Finlândia — caminho incomum de ser percorrido — é um alento, ainda que a obra não pareça ser tão conhecida. Merece demais a leitura, especialmente por me parecer estarmos encaminhando para um mundo muito semelhante ao nela retratado — a desertificação e a dominação por regimes totalitários com a manipulação da história oficial.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Sobre a injustiça com os pioneiros


Esse post é motivado pelo filme que acabei de ver — John Carter: Entre dois mundos. Estava na Netflix, de bobeira, e vi esse filme na lista. Sempre tive um certo preconceito contra ele — afinal, ele caiu no esquecimento, não fez sucesso, então não podia ser muito legal. Acontece que ele estava com 83% de aceitação, e isso não condizia com a “ruindade” que eu imaginava que ele fosse. Então, como estava mesmo sem nada melhor para fazer, cliquei no play.

Com 12 minutos de exibição estava me divertindo tanto que parei de ver para ver posteriormente com a minha esposa. E, hoje, acabei de assisti–lo.



Até então, antes de pesquisar sobre a obra cinematográfica, só sabia que era baseado no romance de Edgar Rice Burroughs — que é muito bem inserido na trama, por sinal — Uma princesa de Marte. E, também, já imaginei por quê o filme não fez tanto sucesso:

É recheado de clichês. Todos os que você pode imaginar.

No entanto, isso fazia sentido para mim, e fez ainda mais quando pesquisei, depois: O romance é de 1912. Mil–novecentos–e–doze, você não leu errado. O filme saiu exatos 100 — cem! — anos depois do romance. Edgar Rice Burroughs foi pioneiro no uso desses elementos. O problema é que o filme saiu depois de todos eles terem sido exaustivamente explorados — inclusive pelo mega–sucesso recente do cinema, Avatar, de James Cameron.

Imagino que a mesma coisa aconteça com o livro Nós, do russo Yevgeny Zamiatin. Ele praticamente inaugurou (se não o fez, de fato) o subgênero da ficção científica de distopias causadas por um governo totalitário, mas está saindo aqui no Brasil depois de 1984, Admirável mundo novo e Fahrenheit 451. Espero que não hajam muitos cabeças–de–bagre que digam que “já leram isso tudo antes, não inova em nada, tudo muito repetido”.


Em tempo: Eu gostei bastante do filme. Recomendo mesmo :)

domingo, 16 de abril de 2017

Um trecho marcante de Stephen King


Funcionou. Nosso casamento durou mais que todos os líderes mundiais, com exceção de Fidel Castro, e enquanto continuarmos conversando, discutindo, fazendo amor e dançando ao som dos Ramones — gabba gabba hey —, é bem provável que continue funcionando. Temos religiões diferentes, mas, como feminista, Tabby nunca morreu de amores pelo catolicismo, no qual homens fazem as regras (inclusive a diretriz divina de sempre transar sem camisinha) e as mulheres lavam a cueca deles. E, embora eu acredite em Deus, não consigo ver a utilidade das religiões organizadas. Viemos de família humilde, ambos comemos carne, somos democratas e temos as típicas desconfianças ianques com relação à vida fora da Nova Inglaterra. Somos sexualmente compatíveis e monogâmicos por natureza. Porém, o que mais nos une são as palavras, a linguagem e o trabalho da nossa vida.

Stephen King – Sobre a escrita




P.S.: Parabéns, sr. King — seu casamento dura mais do que todos os líderes do mundo!

P.S.: Será que sou só eu que acha que o Robert Sean Leonard, da série House, daria um ótimo Stephen King no cinema…?

Stephen King
Robert Sean Leonard

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Atualização desagradável no Desafio Clube de Autores


Eu sempre tive um pensamento muito claro: quem autopublica tem que ter noção. Noção de que a autopublicação implica em muitas coisas.

Noção de que você já começa em desigualdade com as obras que estão nas livrarias…
Noção de que talvez o seu livro saia meio caro (apesar de o preço no Clube de Autores estar perfeitamente equivalente com o de obras de livrarias em questão de número de páginas)…
Noção de que é você que tem que fazer o seu próprio marketing…
Noção de que o seu leitor vai pagar frete quando comprar seu livro online, e que isso talvez o desmotive…
… e, principalmente, noção de que você não vai ficar rico com isso.

No Clube de Autores, é você quem põe o quanto você quer ganhar de royalties. Vejam o exemplo do meu livro, que tem 448 páginas. Quando se põe o número de páginas e o acabamento, o sistema já te dá o preço dele, e você põe o seu em cima:


Lá em “Preço total” você vê “42,38”. Para o meu O arquivo dos sonhos perdidos, eu pus 10% de royalties — que é o que se ganha, aproximadamente, publicando–se por uma editora —, mais um arredondadinho para dar “,90” porque fica mais bonito o número — resultando num total de R$ 46,90.

Assim sendo, voltemos ao “desagradável” do título do post.

Estava eu vendo os preços dos livros do desafio literário, porque o Clube está com promoção de Páscoa, e reparo que todos os preços estão bem condizentes com o número de páginas, a maioria deles também praticando os 10% bem realistas de royalties, menos um… que, a partir de agora, está excluído do desafio.

Esse livro a que me refiro é O evangelho dos loucos, do autor Gabriel Santamaria. Eu já estava dando uma 2.ª chance à obra, porque, após ter demonstrado interesse, ano passado, o autor me inundou de spam. Acabou parando, e então eu incluí o livro no desafio — e agora vejo que o dito cujo está saindo por R$ 47,32 sendo uma obra de 160 páginas, o que daria…


… R$ 31,18.

Ou seja: o autor está esperando lucrar 50% do valor da obra.

Por mim ele pode pôr o preço que quiser, lucrando o que quiser, mas entra naquele papo de noção lá do começo. Eu é que não compro. Acho irreal em todos os aspectos.

Dessa forma, no lugar desse, entra para o desafio a seguinte obra:


6. Unicelular, de Tarsis Magellan


Sinopse: Rosa Villar, agente da ABIN, é chamada às pressas para investigar o envenenamento do filho de uma influente jornalista americana que estava de férias, numa das belas praia do Brasil. O que Rosa não imaginava é que o bem–estar da criança estaria ligado intimamente a membros do alto escalão da embaixada dos Estados Unidos. E, caso a cura não seja encontrada a tempo, problemas diplomáticos surgirão entre os dois países.

A agente tem fortes indícios de que a Biotech, uma grande empresa farmacêutica chinesa, está envolvida no incidente e comanda uma empreitada gigantesca no país. Isso a levará ao centro de controle da Biotech, na Ilha de Trindade.

Lá, Rosa será apresentada à Iniciativa Unicelular, um projeto que ela somente imaginou existir em histórias fantásticas. No entanto, ela sente que algo mais está à espreita, capaz de colocar não só a sua vida, mas a de todos em risco.

Envolta em uma teia de mentiras, conspirações, segredos corporativos e inúmeras mortes, Rosa deve descobrir os mistérios escondidos em um lugar onde não só o homem, mas também a natureza, serão seus piores inimigos.

Expectativa: Parece–me um thriller de ficção científica com toques de horror, bem no estilo dos jogos Resident evil e Parasite Eve… Já havia começado a ler o primeiro capítulo da obra no Wattpad, e a escrita do autor me agradou.


(Obs.: A obra Vós sois máquinas, do autor Goulart Gomes, presente no desafio, está sumida do Clube. Espero que seja porque o autor encontrou editora… Assim sendo, não vou substituí–la desde já; vou esperar para ver se não é só um problema técnico.)

domingo, 9 de abril de 2017

Deuses americanos (+2), de Neil Gaiman


.: Este é primeiro livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros! :.


Tentei esperar algum tempo após acabar a leitura de Deuses americanos, do Neil Gaiman — a releitura, na verdade —, para ver se ficava mais fácil falar sobre essa obra.

Não ficou.

O que acontece é que esse é um dos livros que eu mais gosto — deve ser o segundo, na verdade, só perdendo para O senhor dos anéis —, e é sempre difícil transformar em texto tudo o que uma obra assim significa para nós… Então não vou nem tentar. Simplesmente vou escrevendo, e o que sair saiu.

Como eu comentei na postagem linkada na primeira frase desse post, esse livro inaugura um dos meus dois desafios literários desse ano — é o “um livro com um portal para outro mundo”. E qual seria esse “outro mundo”? O mundo dos deuses. Os deuses que foram trazidos para a América (do Norte), quando ela foi colonizada, pelos seus devotos. Como protagonista, temos Shadow Moon, um ex–presidiário que vê sua vida entrar em colapso assim que sai da prisão. (Na verdade, ele sai da prisão porque sua vida começa a entrar em colapso.) A partir daí ele ganha um trabalho: servir de ajudante e guarda–costas do sr. Wednesday — alguém que é, em muitos sentidos, muito mais do que parece.

E o que significa o “+2” lá do título?

Significa que eu decidi ler, na sequência, as “aventuras extras” do protagonista, retratadas nos contos O monarca do vale, da coletânea Coisas frágeis, e o conto Cão negro, da coletânea Alerta de risco: Contos e perturbações. Aproveitando a onda da série que está para sair, eu decidi me inundar de tudo o que pudesse sobre esse universo incrível. Esses dois contos são o que são: aventuras extras mesmo, nada de mindblowing ou verdadeiramente essenciais — são mais agrados mesmo a quem adorou o romance.

Agora, continua difícil falar sobre a obra em si. Não quero dar spoiler, então vou comentar de forma meio disfarçada.

Shadow by ~luilouie

Muita gente pela internet fala que o Shadow foi muito apático em relação às coisas que iam acontecendo. Acho que essas pessoas não leram a mesma obra que eu. Ele mesmo fala, mais pro fim do livro, que ainda estava processando tudo o que lhe acontecia — e de forma meio frenética, deve–se dizer. Acho que só duas reações são possíveis: ou surtar de vez ou aceitar e seguir em frente. Acho que as pessoas estão tão acostumadas com as over–reactions dos personagens de obras de escritores menos hábeis que se esqueceram como as pessoas de verdade reagem.

O livro tem uns momentos que me agradam muito, como os passados na cidadezinha de Lakeside. Lá tem dois elementos que eu aprecio muito: frio e sossego. Queria viver lá. Gosto muito também de estruturas de road stories como é o do livro. Além disso, a questão da guerra entre os deuses antigos contra os novos é fantástica. Confesso que queria que o livro tivesse umas 200 páginas a mais para que Shadow interagisse com outros deuses — claro que há a questão de que ele só encontraria deuses que foram levados para os Estados Unidos, mas creio que uma continuação da obra poderia mostrar personagens muito interessantes… E uma coisa me dá uma esperança quase infantil sobre isso: o que Gaiman diz na introdução da coletânea Alerta de risco:

“Há uma última história a ser contada, sobre o que ocorre com Shadow quando ele chega a Londres. Se ele sobreviver a isso, será hora de mandá–lo de volta aos Estados Unidos. Afinal, muita coisa mudou desde que ele foi embora.”

Ou seja: há, sim, a possibilidade de uma continuação de Deuses americanos, além da certeza de um terceiro conto sobre as andanças de Shadow. Sabendo que o sr. Gaiman (também conhecido como “deus”) gosta de continuações — afinal, está escrevendo a de Lugar nenhum —, só me resta orar a todos os deuses de todas as culturas pela saúde e por muitos anos de vida ainda ao meu escritor predileto :)

Visual dos personagens para a série

domingo, 2 de abril de 2017

O Templo dos Ventos, de Marcelo F Zaniolo


Tive o imenso prazer de ser leitor beta e editor da incrível obra de fantasia nacional que foi lançada agora em 31 de março — A trilogia dos pássaros vol. 1: O Templo dos Ventos, do meu amigo Marcelo F Zaniolo!


O romance de estreia do Marcelo é uma aventura verdadeiramente refrescante no cenário da literatura fantástica nacional.

Não copia nada de ninguém e não é previsível; se inspira, sim, em coisas que o autor gosta, e isso se reflete totalmente no texto: é divertido, fluido e empolgante. Não deve nada a qualquer autor já estabelecido.

A aparente simplicidade da trama é, na verdade, seu ponto mais forte — em tempos de histórias com viradas e plots freneticamente complexos, ler O Templo dos Ventos areja o cérebro e aquece o coração. Além disso, não tem como não gostar de todos os personagens… E é um dos poucos livros que me lembro de ter lido em que o narrador não é o personagem principal!

Como eu disse na retrospectiva de 2016, O Templo dos Ventos foi uma das minhas melhores leituras do ano, que não foram poucas!

Parabéns ao amigo Marcelo, e fique sabendo que estou muito ansioso para ler a continuação, hein :D

domingo, 26 de março de 2017

Um trecho marcante de João Guimarães Rosa


A roupa lá de casa
não se lava com sabão:
lava com ponta de sabre
e com bala de canhão..." 
Cantar, só, não fazia mal, não era pecado. As estradas cantavam. E ele achava muitas coisas bonitas, e tudo era mesmo bonito, como são todas as coisas, nos caminhos do sertão. 
Parou, para espiar um buraco de tatu, escavado no barranco; para descascar um ananás selvagem, de ouro mouro, com cheiro de presépio; para tirar mel da caixa comprida da abelha borá; para rezar perto de um pau–d'arco florido e de um solene pau–d'óleo, que ambos conservavam, muito de–fresco, os sinais da mão de Deus. E, uma vez, teve de se escapar, depressa, para a meia–encosta, e ficou a contemplar, do alto, o caminho, belo como um rio, reboante ao tropel de uma boiada de duas mil cabeças, que rolava para o Itacambira, com a vaqueirama encourada — piquete de cinco na testa, em cada talão sete ou oito, e, atrás, todo um esquadrão de ulanos morenos, cantando cantigas do alto sertão. 
E também fez, um dia, o jerico avançar atrás de um urubu reumático, que claudicava estrada a fora, um pedaço, antes de querer voar. E bebia, aparada nas mãos, a água das frias cascatas véus–de–noivas dos morros, que caem com tom de abundância e abandono. Pela primeira vez na sua vida, se extasiou com as pinturas do poente, com os três coqueiros subindo na linha da montanha para se recortarem num fundo alaranjado, onde, na descida do sol, muitas nuvens pegam fogo. E viu voar, do mulungu, vermelho, um tié–piranga, ainda mais vermelho — e o tié–piranga pousou num ramo do barbatimão sem flores, e Nhô Augusto sentiu que o barbatimão todo se alegrava, porque tinha agora um ramo que era de mulungu."

João Guimarães Rosa  A hora e vez de Augusto Matraga

quinta-feira, 23 de março de 2017

#OPodcastÉDelas — Priscilla Rúbia

~Texto da escritora convidada Priscilla Rúbia, podcaster dos programas CabulosoCast e Perdidos na Estante, em apoio à campanha #OPodcastÉDelas, integrada por diversos produtores de conteúdo para a internet — como podcasters, bloggers e vloggers — nesse mês de março de 2017.~




Fui descobrir o mundo dos podcasts quando resolvi usar a internet ao meu favor e procurar sites que falavam sobre o meu maior hobby: a leitura. Para minha surpresa, a internet estava lotada de blogs literários. Mas gostaria de ir além; gostaria de conversar sobre o hobby com outras pessoas apaixonadas; então, a grande felicidade foi descobrir o podcast.

Depois de muito comentar em um deles, o CabulosoCast, fui convidada a participar do mesmo. Eu! O que eu poderia acrescentar, o que eu poderia falar que outros já não tinham falado? Eu não sabia, na época, mas o convite seria de muita importância e mudaria meu mundo. Eu entraria em contato com muitas pessoas interessantes e faria os melhores amigos. Eu poderia escrever, outro hobby que preciso praticar mais. Mas, por mais que em toda a minha vida eu tenha ouvido coisas que me fizeram me sentir menor por ser mulher, ainda é estranho e chocante o quanto minha opinião pode ser considerada lixo por causa do meu gênero.

Para algumas pessoas isso é o tal vitimismo — #mimimi —, mas quando um homem expõe uma opinião e as pessoas não concordam com ela, elas dizem que não concordam. Num caso extremo, o xingam de incompetente. Se é uma mulher a expor a opinião, e essa opinião for recebida negativamente, procuram primeiro saber como é a aparência dela, porque pelo jeito isso vale muito quando temos uma autora em vez de um autor.

Tudo isso faz com que muitas mulheres fiquem fora desse mundo de criador de conteúdo, de ser podcaster. É melhor ler em casa e escutar sobre o livro sem falar muito. Usar um nome falso para comentar, talvez. Um nome masculino, claro, como J. K. Rowling fez.

Depois de ser podcaster eu passei a admirar, cada vez mais, as mulheres que criam conteúdos e expõem suas opiniões. Porque não é fácil, não mesmo. Por isso a quantidade de homens ainda é maior na podosfera. E acontece, frequentemente, de eles quererem mudar esse número, convidando mulheres para participar de programas — mas acabam não deixando–a falar, interrompendo–a com frequência, só colocando o nome dela na chamada do programa pra mostrar que “aqui não, aqui a gente chama mulher, amamos todas elas!”…

Porém, se você, mana, é criadora de conteúdo, ou talvez pensa em ser, se gostaria de escrever sobre aquele livro/mangá/HQ que gostou muito ou que talvez tenha odiado, se quer participar de um podcast ou talvez criar o seu podcast, só tenho a dizer: vá em frente. Não vai ser fácil, mas se você pensar que irá incentivar outras mulheres a fazer o mesmo, já vale a pena. Quando uma mulher ouve outra em um podcast, dizendo sua opinião ou ainda acrescentando conteúdo no assusto discutido, é maravilhoso. Aquela mulher que participa, que fala, que escreve, talvez não saiba, mas muda a vida de muitas mulheres e as incentiva. Bom, a minha mudou. E sendo podcaster e escrevendo — escrevendo esse texto —, espero que mude de alguma forma a sua também.

sábado, 11 de março de 2017

Outro desafio literário para 2017!


Quando de minha única visita à Livraria Cultura, em São Paulo, adquiri duas coisas:

Um exemplar já difícil de encontrar, da extinta editora Tarja, do romance A situação, do Jeff VanderMeer…
…e um singelo marcador de páginas.

Acontece que, nesse marcador, há um desafio literário bastante interessante para quem gosta de literatura fantástica.

Ele diz “Livros para viajar para outros mundos”, e traz a seguinte lista:

  • Um livro com uma aventura em alto–mar.
  • Um livro com animais falantes.
  • Um livro que se passe em diferentes reinos.
  • Um livro com criaturas mágicas.
  • Um livro com um dragão na capa.
  • Um livro em que foi criada uma nova língua.
  • Um livro com um portal para outro mundo.


Como podem ver, já dei um “check” no último item, porque estou lendo Deuses americanos, e, se você já o leu, deve certamente se lembrar d'O Maior Carrossel do Mundo :)

Para o item do dragão na capa, já tenho o candidato mais provável: Memória da água, da Emmi Itäranta… mas, para o resto, ainda há um mundo de possibilidades!

Prometo que falo sobre cada um deles, assim que os ler — e assim como os do outro desafio literário do ano.

terça-feira, 7 de março de 2017

Desafio literário Clube de Autores


Todos que me acompanham sabem que publiquei meu primeiro romance, O arquivo dos sonhos perdidos, pelo Clube de Autores — uma plataforma de autopublicação semelhante à Amazon, mas o que essa última faz com e–books, a primeira faz com livros impressos.

Acontece que, por não haver nessas plataformas o crivo de um editor, muita tranqueira é publicada. Talvez 90% de tudo o que é nelas publicado — ou até mais —, na verdade. Só que acontece, também, de acharmos pérolas no meio de tanta caca…

E é nesse sentido que lanço a mim mesmo o desafio Clube de Autores, para esse ano de 2017 :D

Vou, através desse desafio, comprar e avaliar, ao longo do ano, aqui no blog, 7 obras que me parecem promissoras, de diversos gêneros literários. Vou dedicar meu escasso tempo de leitura e meu precioso espaço na lista de leituras para essas obras, e depois dizer se atingiram ou não minhas expectativas.

São essas as obras (a ordem é meramente ilustrativa e não reflete, necessariamente, a ordem de compra ou leitura):


1. Teorema de Mabel, de Matheus Ferraz


Sinopse: Para Mabel, a chance de trabalhar como datilógrafa para o maior nome da literatura brasileira era inacreditável — justo ela, que sempre sonhara em ser uma grande escritora! Mas Milton Dantas agora não era mais do que uma criatura moribunda e incapaz de escrever uma linha sequer. Mabel decide seguir em frente e escrever o livro, mesmo que isso signifique perder sua sanidade. Mas por que teria sido ela escolhida para o trabalho? A resposta está na sua aparentemente inofensiva máquina de escrever, que esconde um segredo terrível.

Expectativa: Imagino ser uma obra mais voltada para o young adult, com toques do realismo mágico de Carlos Ruiz Zafón e sua trilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos.

*

2. A eleição, de Rodrigues dos Santos


Sinopse: Ávido por poder, o prefeito carioca Fernando Leta entra em mais um ano eleitoral sedento por vitória. O desafio dessa vez é eleger um aliado para o governo do Estado, de forma a expandir sua influência para fora da cidade que governa, de olho em voos mais altos rumo a Brasília.
O que Fernando não sabia antes desse ano eleitoral é que seu sucesso político cobraria um preço muito alto da sua família. Comprometido com acordos políticos, alianças improváveis e cercado por pessoas que não pode confiar, Fernando precisa enfrentar seus adversários enquanto elege qual é sua verdadeira prioridade.

Expectativa: Me parece ser um drama interessante, se tiver sido bem escrito, já que parece ter a intenção de tratar dos nossos tempos. Talvez possa descambar para um thriller.

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3. A última tribo, de Guilherme Pimenta


Sinopse: Em uma tribo isolada do mundo, Yxyry — perto de se tornar pai — vê sua família definhar com pouca comida e água escassa. Temendo por todos, ele começa uma jornada para desafiar seus deuses, cruzando uma fronteira proibida para seu povo: a Fenda do Mundo.
Nessa história emocionante, siga a jornada de um ser humano enfrentando o desconhecido para salvar seus entes queridos — e como este confronto pode mudar uma pessoa para sempre.

Expectativa: Não costumo me atrair muito para estórias tribais, indígenas, e coisas desse tipo… mas algo nessa sinopse me faz imaginar ter um “algo mais” aí. Espero uma aventura–pipoca de fantasia.

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4. Vós sois máquinas, de Goulart Gomes



Sinopse: No futuro, um androide estabelece contato com uma inteligência de outra dimensão, provocando grandes transformações na sociedade.

Expectativa: Essa sinopse é a mais curta e a que mais me agradou — tanto que este foi o livro que descobri há mais tempo, antes mesmo de saber o que era o Clube de Autores. Além de ser ficção científica, meu gênero preferido.

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5. Universo desconstruído: Ficção científica feminista vol. II, organizada por Lady Sybylla e Aline Valek


Sinopse: Segunda coletânea de ficção científica feminista brasileira. Oito autores e autores brasileiros, oito universos diferentes, desconstruindo mundos.

Expectativa: Já comprei e li a primeira coletânea da Sybylla e da Aline, e adorei. Muitos contos bons, alguns incríveis, então a expectativa para o segundo volume é alta.

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6. Unicelular, de Tarsis Magellan


Sinopse: Rosa Villar, agente da ABIN, é chamada às pressas para investigar o envenenamento do filho de uma influente jornalista americana que estava de férias, numa das belas praia do Brasil. O que Rosa não imaginava é que o bem–estar da criança estaria ligado intimamente a membros do alto escalão da embaixada dos Estados Unidos. E, caso a cura não seja encontrada a tempo, problemas diplomáticos surgirão entre os dois países.

A agente tem fortes indícios de que a Biotech, uma grande empresa farmacêutica chinesa, está envolvida no incidente e comanda uma empreitada gigantesca no país. Isso a levará ao centro de controle da Biotech, na Ilha de Trindade.

Lá, Rosa será apresentada à Iniciativa Unicelular, um projeto que ela somente imaginou existir em histórias fantásticas. No entanto, ela sente que algo mais está à espreita, capaz de colocar não só a sua vida, mas a de todos em risco.

Envolta em uma teia de mentiras, conspirações, segredos corporativos e inúmeras mortes, Rosa deve descobrir os mistérios escondidos em um lugar onde não só o homem, mas também a natureza, serão seus piores inimigos.

Expectativa: Parece–me um thriller de ficção científica com toques de horror, bem no estilo dos jogos Resident evil e Parasite Eve… Já havia começado a ler o primeiro capítulo da obra no Wattpad, e a escrita do autor me agradou.

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7. Zé Calabros na Terra dos Cornos, de Tiago Moreira


Sinopse: Entre a caatinga e o mar, a Cornália é uma terra hostil, governada por coronéis, ameaçada por cangaceiros e habitada por feras lendárias.
É uma época de terror. O Rei do Cangaço se ergue no leste, isolando a região e espalhando violência em sua cruzada sangrenta.
Porém, quando o errante Zé Calabros, cabra–macho do sertão, salva a vida de um náufrago misterioso, inicia–se uma travessia perigosa por essa terra fantástica.
No caminho, nossos heróis insólitos — e também você, leitor — encontrarão engenhos terríveis, feiticeiros poderosos, monstros selvagens e bandidos cruéis.
Esta é a jornada de Zé Calabros na Terra dos Cornos.

Expectativa: Essa é a obra mais recente dessa lista, em publicação e em descoberta — e é de longe, para mim, a mais curiosa. Fantasia numa versão do Sertão Nordestino, com uma capa muito divertida e um título muito engraçado? Podem ter certeza que as expectativas para esse livro estão altas :)

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É isso aí! Está lançado o meu desafio a mim mesmo, hehe, e, caso vocês se interessem por alguma(s) dessas obras, o link para elas está no próprio nome, é só clicar e comprar :)

Sigamos prestigiando a literatura nacional, estando ela em editoras ou não ;)

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Atualização em 10/04/17: Foi feita a substituição de uma das obras do desafio original, como relatado nessa postagem.