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Links para a obra do Rahmati

Nesse post você tem acesso a todas as minhas obras publicadas :) Os links para compra / leitura / download estão embaixo de cada imagem. ...

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Limbo, de Thiago d'Evecque


— Oi, você já leu o Limbo?
— E Limbo, você leu?
— Sabe um livro legal? O Limbo!
— Olha, saiu um livro novo daquele rapaz que escreveu o Limbo, você já leu?

Esse é um compilado do tipo de coisa que eu venho escutando há um tempo, rs. Queria eu gerar o mesmo envolvimento.

Assim sendo, o que eu poderia fazer a não ser ler esse tal desse Limbo? Então eu li.




E vou começar já dizendo que, até lá pelos seus 20%, a obra não tinha me convencido. Foi um amigo que me convenceu a continuar. Entendam: não é que estava ruim; eu só tinha a impressão que estava sentado numa arquibancada vendo uma escola de samba passar. “Olha essa ala, que bonita. Ah, essa ala eu não gostei muito. Ah, é mais interessante" — e por aí vai. Seguimos, na “trama", um personagem que precisa reunir doze “personalidades" presentes no Limbo — o lugar para onde as pessoas vão ao morrer — para voltar à Terra e ajudar as pessoas, já que as coisas aqui estão indo de mal a pior. Esse protagonista tem a companhia de uma arma mágica na missão e... é isso.

Mas qual é realmente o ponto negativo da obra? Então: nenhum. O protagonista é bem construído e sua arma mágica é uma figura, divertida e desbocada. Boa parte da diversão é descobrir quem ambos são, ao longo da narrativa. Os personagens secundários — os 12 — são variados, cada um de uma mitologia, e são memoráveis; suas histórias são interessantes e não fica massante acompanhar a busca de todos eles justamente por causa disso. E é aí, eu percebi ao continuar a persistir na leitura, que está a graça do livro: conhecer e acompanhar personagens, ainda que tudo o que eles façam seja ir do ponto A ao ponto B.

Devo, no entanto, me corrigir — há, sim, um ponto negativo em Limbo: quando ele fica realmente bom ele acaba. Thiago d'Evecque, ouça: você NOS DEVE uma continuação da história. Quero muito saber onde foram parar cada um dos 12, e se a última prece do protagonista foi atendida. E, se possível, haha, quero que eles vão parar na Terra também. (Fica ainda uma dica: prestem atenção nas referências — em uma delas eu rachei de rir 😂)


Livro: LIMBO •
• Autor: THIAGO D'EVECQUE •
• Editora: Independente •

Personagens: ★★★★☆
Trama: ★★★
Escrita: ★★★★☆
Ambientação: ★★★
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★★☆

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Novo sistema de notas no blog!



É isso aí! A partir de hoje, todas as resenhas que eu publicar no blog terão um sistema de notas diferenciado, que reflita com mais clareza o que eu achei das obras e o que eu prezo nelas, em quesitos totalmente enviesados e individuais. Assim, posso deixar aqui minhas impressões mesmo que não queira falar muito sobre elas :)

Será assim:


• Livro: O ARQUIVO DOS SONHOS PERDIDOS
• Autor: RODRIGO RAHMATI •
• Editora: Independente •

Personagens: ★★★★☆
Trama: ★★★★☆
Escrita: ★★★★☆
Ambientação: ★★★★☆
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★★☆


E, se der na telha, atualizo todas as resenhas antigas com esse mesmo padrão :)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Nefelibata ou O fotógrafo


E está lançado meu segundo romance, Nefelibata ou O fotógrafo, em formato e–book na Amazon!






Ellijah descobre que gosta de fotografar ao ganhar de Lorena, sua esposa, um celular que tira fotos. E melhor ainda: ele percebe que tem tino para a coisa. Ao mesmo tempo, o português Maximilian surge em sua vida e se torna um amigo, ampliando, com seu modo diferente de ver o mundo, seus horizontes fotográficos. Mas esse é um “hobby” que toma dinheiro — e sua esposa começa a apresentar uma doença misteriosa. O dinheiro não será suficiente para cuidar de tudo, e Élli precisa escolher entre seu novo sonho — ser um fotógrafo de natureza — ou abrir mão de tudo por Lorena. O problema é que ele nunca foi muito bom em tomar decisões.

Para comprá–lo, basta acessar este link:


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Vem novidade por aí…


Ainda que eu não vá dizer realmente nada com esta postagem, posso adiantar a vocês, nobres leitores do blog, que uma novidade está surgindo no horizonte.

E no horizonte próximo, diga–se de passagem ;)


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Unicelular, de Tarsis Magellan


Que surpresa foi o romance Unicelular, do manauara Tarsis Magellan! Não que eu não tenha me interessado por ele desde o início, no Wattpad, e depois quando veio para o Clube de Autores, e, finalmente, após comprar o meu Kindle, onde o comprei na Amazon! Inclusive, na época do Clube, ele entrou no meu desafio; assim sendo...

.: Este é o terceiro livro do Desafio Literário Clube de Autores, de um total de 7 livros! :.


Para começar a falar do romance, quero fazer um exercício com vocês, leitores: pensem em elementos de filmes norte–americanos de sucesso — é bem possível que eles estejam em Unicelular. Temos uma protagonista policial forte e decidida; um parque temático com criaturas fascinantes e incrivelmente perigosas; elementos de ficção científica que estão diretamente relacionados ao nosso dia a dia; mortes deliciosamente estapafúrdias; conspirações; empresas gigantes e inescrupulosas destruindo o meio ambiente; cenários futuristas, meio alienígenas e impressionantes em sua execução; explosões!; robôs; e o melhor de tudo, a única coisa que não se encontra em Hollywood: a história se passa no Brasil, em meio a cenários que todos nós, se não conhecemos, já ouvimos falar. E, creiam–me: nada disso — absolutamente nada — ficou forçado. Desculpem se pareço empolgado, é que estou mesmo, hehe.

Mas, afinal, o que acontece no livro? Para simplificar, sem spoilers: Uma agente da ABIN — a versão brasileira Herbert Richers da CIA — manda sua melhor agente, Rosa Villar, para investigar a Iniciativa Unicelular, depois que acidentes com pessoas no litoral começam a demonstrar um padrão. Lá, os cientistas da Iniciativa estão montando um parque temático onde as principais atrações são os organismos unicelulares... mas não exatamente como eles deveriam ser. No entanto, no decorrer de suas investigações, Rosa percebe que as coisas não são bem como ela imaginava (e nós, leitores, também, já que a trama vai por caminhos inesperados o tempo todo). Mas, Rahmati... Afinal, a história é de ficção científica, policial ou um thriller? É tudo isso! E funciona muito bem!

O autor, Tarsis Magellan (gosto desse nome, porque me lembra o meu disco preferido da banda Savatage, o The wake of Magellan), escreve muito bem, e seu estilo, como eu acho que deve ser nesse tipo de história, não se sobrepõe à trama; ele não inventa a roda, apenas a usa muito bem, com rolamentos novos e pneus de boa qualidade, hehe. Apesar de ser um lançamento independente, não encontrei grandes erros, nem de português nem de diagramação (claro, existem alguns, mas inofensivos). A capa, inclusive, é linda, e passa muito bem a ideia da trama.

Em resumo, depois de tudo o que eu falei: é um livro que eu indico MUITO. Merece ser comprado na Amazon, merece ser comprada a sua versão física, que ainda vai ser lançada (foi retirado do Clube de Autores), porque parece que está ficando muito bonita, e o autor merece ser publicado numa grande editora. Inclusive, ele eleva bastante a expectativa por suas futuras produções.

Unicelular, assim sendo, leva um belo dum 4,5 de 5 (na nota geral; segue padrão novo no final). Fez comigo, inclusive, o que muitos poucos livros fazem ultimamente: me deixou com saudade do cenário onde se passa :)


Livro: UNICELULAR
• Autor: TARSIS MAGELLAN •
• Editora: Independente •

Personagens: ★★★★☆
Trama: ★★★★☆
Escrita: ★★★★☆
Ambientação: ★★★★★
Revisão: ★★★☆☆
Capa: ★★★★★

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A menina submersa: Memórias, de Caitlín R Kiernan


Uma das poucas coisas que realmente me estressam, na literatura, é me sentir enganado. Não fico “bravo" quando leio uma obra mal escrita; eu simplesmente faço uma careta e a abandono. Também não fico “bravo" quando chego a um final ruim de um livro; dependendo de como foi a jornada, eu somente penso: “ah, bem que essa história merecia um final melhor..." (Lost, é com você, minha filha.) Mas quando uma obra me engana... Ah, aí eu fico fulo. É verdadeiramente uma traição. O principal exemplo, para mim, disso, é o livro Grande irmão, como mencionei nesse desabafo aqui.

Em A menina submersa: Memórias, não é exatamente a obra que me enganou — foi como a venderam para mim.


Em todas as artes, textos e etcéteras promocionais da editora Darkside, esse livro é vendido como um livro de terror. Ou, ao menos, um terror psicológico. Tudo bem que a protagonista começa o livro dizendo que vai contar uma história de fantasmas — no entanto, não é uma história de terror. Se você, leitor do blog, quer ler esse livro por causa disso, repense. A menina submersa é sim uma história de fantasmas, com sereias e lobos, mas são os fantasmas, sereias e lobos da protagonista, India Morgan Phelps, ou Imp, porque ela é esquizofrênica. Não, isso não é uma interpretação minha. Sim, isso está escrito no livro. Que é narrado em primeira pessoa. Pela protagonista. Que não deixa dúvidas. É a história dela, como ela se lembra, e inventando o que não lembra. Pode ser que tenha um ou outro elemento fantástico? Sim, pode. Mas não é esse o foco. Não é uma história de terror. É uma ótima história que destrincha, que escarafuncha, que desnuda a cabeça de uma pessoa perturbada por uma doença que rouba dela qualquer controle que ela tenha de sua mente — e isso, não tenham dúvidas, é muito bem feito —, mas não é a história que eu esperava ler quando abri o livro. Porque quem gosta de ler sabe que é preciso estar numa vibe adequada àquele livro. Quando se está com aquela puta vontade de ler uma fantasia épica e a única coisa que se tem em mãos é um Orgulho e preconceito ou um A moreninha, é óbvio que não se extrairá o que essas obras têm de melhor.

A menina submersa é um bom livro, que fique claro. Não é excelente, contudo. Apesar de ter adorado as viagens da protagonista e os problemas de relação dela com as mulheres de sua vida, Eva e Abalyn, achei o livro denso e arrastado demais. Talvez, como eu disse, por ter esperado outro tipo de narrativa. A diagramação é boa, com “supresinhas" ao longo das páginas, e a relação toda da protagonista com a arte em geral é bem legal, ainda que sempre envolta nesse véu de confusão e estranheza de todo o livro.


Livro: A MENINA SUBMERSA: MEMÓRIAS •
• Autora: CAITLÍN R KIERNAN •
• Editora: Darkside •

Personagens: ★★★★☆
Trama: ★★★
Escrita: ★★★
Ambientação: ★★★★☆
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Picta Mundi, de Gleice Couto


Picta Mundi, da autora Gleice Couto, chamou a minha atenção desde o primeiro momento em que descobri sua existência, na bela e amada lista de e–books gratuitos da Amazon, hehe. Gostei da capa, do título, e, posteriormente, da sinopse. Vi que se tratava de uma história onde, por qualquer motivo, se era possível entrar nos mundos — ou nas realidades alternativas — dos quadros, das pinturas, e isso falou muito comigo, porque são duas coisas que eu curto bastante, realidades paralelas e óleo sobre tela.


Picta Mundi, como vocês já devem ter suspeitado, é uma obra independente. Faz tempo, contudo, que isso deixou de ter, para mim, algum significado além do óbvio — o de não ter uma editora. Atualmente, muitos escritores (eu arriscaria dizer a maioria) estão tomando cuidado com suas “edições do autor", procurando revisores, leitores beta, leitores críticos e capistas, e isso reflete em obras como essa. Aqui, a diagramação é muito boa, os capítulos iniciam com um desenho de uma pena, a revisão do português está ótima, enfim; o trabalho é melhor que, inclusive, o de algumas editoras por aí. Mas e a trama?

Trata-se, também, de uma história young adult. Nela, acompanhamos, no começo, Letícia e Daniel, alunos do colégio Dippel, que se encontram na diretoria para receberem suas detenções. A escola é de alto nível, e ambos parecem não se encaixar muito bem naqueles padrões. Logo percebem que têm algo em comum: ambos perderam pessoas próximas. Daniel perdeu seu irmão, Felipe, desaparecido, e Letícia seu pai, Raul, que morreu em condições incertas. A vida de ambos desandou a partir desses eventos. No entanto... Daniel diz a Letícia que as coisas não são bem assim. Felipe não desapareceu, na verdade, e está com o pai da menina em um mundo paralelo, acessado por meio de pinturas especiais. E precisa da ajuda dela para fugirem. (E, é óbvio, ela acha que ele tá muito doidão de dorgas.)

Enquanto a ideia é excelente — e criativa, porque não me lembro de muitas obras parecidas —, a execução é, para mim, vale frisar, “apenas" boa. Entendam: o livro é bem escrito, não há falhas na trama nem na continuidade, nada realmente que desabone. A autora conduz muito bem a história e os personagens. Contudo... meu problema é com o “estilo" young adult. Parece que não consigo me conectar muito bem... É curioso, porque nem é por qualquer bobeira do tipo “ah, as situações são inverossímeis", ou “os personagens são inseguros", ou “não gosto de adolescentes"; é que, nessas obras, eu meio que sinto como se estivesse assistindo a um “filme de Sessão da Tarde", se vocês entendem o que quero dizer com essa referência. Não estou dizendo sobre esse livro, mas me parece, ao ler uma obra desse gênero, que os protagonistas não vão realmente correr algum risco, sabe? Que eles vão sim conseguir o que querem no final, então parece que não consigo me conectar com os personagens. Certamente o problema é meu.

Para quem ama, entretanto, o gênero YA — e são muitas pessoas —, certamente vai adorar o Picta Mundi. Criativo, bem executado, bem escrito, e com personagens muito bem construídos, humanos até dizer chega. A protagonista, inclusive, chega a irritar de tanta humanice, haha. Vale a pena demais ;)


Livro: PICTA MUNDI •
• Autor: GLEICE COUTO •
• Editora: Independente •

Personagens: ★★★
Trama: ★★★
Escrita: ★★★
Ambientação: ★★★★☆
Revisão: ★★★
Capa: ★★★★☆

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Glamour, de Alexey Dodsworth


Alexey Dodsworth não decepciona, não me canso de dizer isso. Disse na minha resenha de Dezoito de Escorpião, disse na de Extemporâneo, digo nessa agora de Glamour, o terceiro lançamento do autor no ano de 2016 — nesse ano, também saíram a segunda edição de Dezoito e O esplendor, ambos pela editora Draco. Glamour, no entanto, foi lançado como independente, e fico curioso em saber por quê... apesar de ter uma suposição sobre o o motivo:

Imagino que seja por causa do quanto essa obra seja fora da casinha, surtada, ousada e cheia de quebras de preconceitos para esfregar na cara da sociedade tradicional. Talvez seja por isso. (Só espero que ele tenha partido para a publicação independente por conta própria, e não que tenha sido rejeitado por editoras por esse motivo...)


Vamos começar, então, pelas protagonistas. Sim, “pelas"; são três mulheres.

A primeira delas é a Nemy–Z, uma drag–queen de uns 2 metros de altura, que está sempre montada. Outra é a Leonor, idosa e esposa de Nemy–Z, que luta contra um câncer terminal. E a terceira é Cassandra “Cassie" Johnson, a — segundo absolutamente todos, linda — filha transgênero de cabelos azuis das duas (e que me trouxe muita alegria ao aparecer na obra, já que ela também é protagonista de Extemporâneo — ou uma versão dela de outra realidade —, e é muito carismática).

A questão é que as três não são “só" isso, hehe. Leonor tem a voz, que torna impossível não obedecer a qualquer coisa que ela comandar; Cassie tem visões do futuro de fatos e de pessoas; e Nemy–Z parece ter algo em si muito maior do que isso tudo (e a revelação de seu poder, no fim do livro, me parece ser um dos bons motivos para o livro ter saído independentemente). Além disso, as três têm um grupo pop cover chamado As Iluminadas de Thanateros, são complexas e indistinguíveis de seres humanos reais, com suas qualidades e defeitos. Tá bom ou quer mais?

Então tem mais.

Os vilões também são memoráveis. Dentre eles, um candidato à presidência ultra–conservador chamado Jairo Volpi e um cadeirante misterioso mas, ainda assim, que rende cenas muito divertidas. Aliás, a escrita do Alexey é fantástica — fluida, cheia de surpresas e com momentos muito bem amarrados. Só senti um pouco de falta, no final, da reaparição ou mesmo da menção de um personagem que tem uma “conclusão" no fim do primeiro ato, mas aí também já pode ser o próprio autor quebrando minhas expectativas e fugindo do clichê, haha.

Outra coisa que me agrada nos livros do Alexey é a costura que ele faz entre eles. Todos têm elementos uns dos outros, personagens, menções ou mesmo temáticas que giram em torno de um “Sol", mas mesmo assim nada é repetitivo ou previsível, muito pelo contrário. Como (acho que posso dizer com certa segurança) ele trata de universos paralelos, cada realidade que ele nos traz é única e, à sua maneira, incomodamente próxima à nossa dos piores jeitos possíveis.

Nota 5 de 5, fácil. Dá mesmo vontade de ler tudo de novo para brincar de encontrar os elementos comuns.

Acho que vou fazer isso.

Mas, antes, vou ler o livro que falta, O esplendor.

Aguardem novidades :)


Livro: GLAMOUR •
• Autor: ALEXEY DODSWORTH •
• Editora: Independente •

Personagens: ★★★★
Trama: ★★★★
Escrita: ★★★★
Ambientação: ★★★★
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★★☆

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Podcasts: Biblioteca de Bolso, CabulosoCast e Caixa de Histórias


Combo de literatura! Três deliciosos podcasts sobre nossos amados livros para vocês conhecerem!



Esse é o único podcast de Portugal que eu ouço. É apresentado pela Inês Bernardo e pelo José Mário Silva, e o programa sempre gira em torno de um convidado — numa conversa presencial —, seja autor ou personagem do mercado editorial português. Mas aí você pode se perguntar: então o quê isso interessa a nós, brasileiros? Primeiro, que o formato é o seguinte: o convidado escolhe 3 livros que marcaram sua vida. A partir daí, ele e os hosts discorrem sobre a história, sobre as lembranças que o livro traz, sobre os personagens, os momentos marcantes... Eles literalmente humanizam a obra. Para um escritor, isso é um excelente meio de aprender como marcar os leitores de maneira indelével.


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Ah, o Cabuloso... Esse foi, por muito tempo, o meu preferido... Mas, como assim, “foi"? É, “foi", porque acabou. Fico muito triste, mas é a verdade. Nesse exato momento ainda vai lançar uns episódios, mas o fim está oficialmente anunciado, e não demora. Ele é apresentado pelo Lucien o Bibliotecário, host que conseguiu manter sua identidade em segredo por muito tempo, rs. Além disso, na equipe oficial, tem a Priscilla Rúbia, a Domenica Mendes e o meu brother de SobrEscrever, o Lucas Ferraz. São programas mais longos, mais de 1 hora, às vezes mais de 2, hehe, mas o papo é sempre muito descontraído, seja sobre um livro — com uma parte sem spoilers e uma com —, sobre um autor — com a participação do mesmo, quando possível — ou sobre um estilo literário. Já foi quinzenal, já foi semanal, e, nesse finalzinho, está praticamente mensal. É um programa que vai fazer muita falta :'(


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Esse é um podcast peculiar. É apresentado pelo Paulo Carvalho, e é construído num formato diferente. Como o Paulo é autor, ele faz, na primeira metade do programa, um “audiolivro", geralmente do primeiro ou segundo capítulos, ou de um conto, se for o caso. Na sequência, ele sozinho ou com um convidado apresentam e discutem sobre a obra, sem spoilers, apresentando–a aos ouvintes. É um programa que faz parte da “família B9 de podcasts", de duração variável — às vezes 25 min, às vezes 45 min ou 1 h —, e semanal, e muito legal :D


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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Podcasts: Alô Ténica, AntiCast e BrainCast


Continuando os posts onde apresento os podcasts que eu assino, trago agora três programas dos quais não ouço absolutamente tudo o que lançam, mas que, ainda assim, gosto bastante.



Esse programa é produzido e apresentado pelo Léo Lopes, e é um spin–off do podcast Rádiofobia. Nele, o Léo dá dicas e divide sua experiência no tocante à edição, produção e publicação de podcasts — ou seja, é praticamente uma metalinguagem, um podcast sobre podcasts. O “ténica", sem o C, inclusive, é grafado e falado assim propositalmente, como um jargão. O Léo Lopes é um excelente produtor e comunicador, e acompanhar esse programa é indispensável para quem se dedica ao formato. O Alô Ténica é um podcast mensal, distribuído por um feed próprio mas também pelo feed do Rádiofobia.


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O AntiCast é um dos maiores podcasts brasileiros da atualidade. É apresentado pelo Ivan Mizanzuk e começou como um podcast de design — ou de antidesign —, mas acabou evoluindo para ser um programa sobre... tudo, desde memes até política, religião, literatura e cinema. São sempre programas longos, beirando as 2 horas de duração, e é semanal. Como não tem muita edição — no máximo a vinheta inicial, uma trilha de fundo e nada mais —, às vezes eles gravam sobre temas urgentes até mesmo um dia antes do lançamento do episódio. O Ivan deixa os convidados bem à vontade para exporem suas opiniões, mesmo sendo polêmicas, e isso traz um diferencial bem legal para o programa. Eu só não ouço mesmo os episódios sobre política, porque já estou, honestamente, de saco cheio disso, e filosofia, por não me interessar muito pelo tema quando discutido a fundo como eles fazem.


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Esse é o principal podcast do portal B9. É essencialmente sobre comunicação e entretenimento, e é apresentado pelo time Carlos Merigo, Luiz Yassuda, Cristiano Dias, Guga Mafra e Luiz Hygino. Os episódios do BrainCast têm em torno de 1h30, e são bem dinâmicos e descontraídos. Só não ouço tudo porque não são todos os temas que me atraem, não sendo tão interessado na área de comunicação, e tendo a ouvir os temas mais genéricos que acabam não sendo abordados pelos meus programas preferidos.


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Podcasts: 30:MIN, 99Vidas e Agentes do L.I.V.R.O.


Como no post sobre os podcasts que eu ouço eu disse que comentaria sobre cada um, este é o primeiro post dessa série, onde apresentarei 3 programas dos quais ouço tudo o que lançam.



Este é um podcast de literatura, apresentado por uma equipe fixa de três pessoas — o Vilto Reis, a Cecília Garcia e o Jefferson Figueiredo — e editado pelo Luís H Beber, que eventualmente participa também das gravações. Eles tentam sempre lançar programas dentro da casa dos 30 minutos de duração, e são os herdeiros, digamos assim, do antigo podcast LiteratusCast. São publicados pelo site Homo Literatus. Eventualmente aparecem convidados, mas não é o padrão.

O foco desse pessoal é mais a literatura realista, a mainstream, tendendo para a literatura clássica. Existem tanto episódios que falam de apenas uma obra como episódios falando de autores, temas, listas e duelos muito engraçados entre os participantes, onde um tenta desmerecer a escolha do outro, dentro de um tema. No começo acho que eles exageravam um pouco nas piadas, mas agora eles encontraram um equilíbrio legal. Altos níveis de japonezices, sapos alucinógenos e complexos de Napoleão inclusos.


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Dois temas são recorrentes na minha playlist de podcasts: literatura e videogames. Nesse segundo tema, o 99Vidas é o maior podcast do Brasil. Eles têm uma longa tradição — já estão no episódio 276 —, uma enorme base de fãs (às vezes apaixonados até demais) e lançaram até mesmo um game beat'em up side–scrolling (traduzindo kkk: um jogo de briga de rua em progressão lateral) baseado nos participantes do programa e nas piadas internas dos episódios.

O 99Vidas fala essencialmente de jogos antigos e da nostalgia relacionada a eles. Existem os episódios que falam de apenas um jogo ou uma personalidade do mundo dos videogames; os 2–Pak, que falam de dois jogos geralmente menores; os 4x4, que apresentam quatro coisas — jogos ou consoles, às vezes; os Estilo 99Vidas, que falam de coisas saudosas da época da infância; e os Pancadão, com trilhas sonoras dos jogos. Como todo programa grande, de qualquer gênero ou mídia, os quatro podcasters — Jurandir Filho, Izzy Nobre, Evandro de Freitas e Bruno Carvalho — parecem ter, em igual número, admiradores e haters.


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E voltamos à literatura. Esse é um podcast que eu gosto muito, porque a dinâmica dele é diferente — é sempre um bate–papo entre os dois hosts, Melanie e Thiago (à semelhança do gringo Sword & Laser e do brasileiro O Drone Saltitante, dos quais vou falar futuramente). Eles tratam exclusivamente de literatura especulativa — fantasia, ficção científica e terror. Infelizmente eles estão num hiato desde março, e espero que não desistam :(

O mais legal é que eles têm um entrosamento muito gostoso, e falam tanto de autores e obras quanto de aspectos da escrita. E eles fazem direto tags e listas, que todo mundo adora :D


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domingo, 6 de agosto de 2017

Um trecho marcante de Antônio Xerxenesky


“Quer uma menina para a noite? Ou prefere alguém mais experiente, alguém que esteja à altura de um homem como o senhor…?”
E escorregou a língua na orelha de Thornton, num prolongamento da palavra “senhor”. 
A face do xerife corou inteira. Não ficou claro se por vergonha ou raiva. Ele se levantou, jogando a mão de Maria para o lado, e parado ficou, como para dizer algo, mas nada disse. Tentou exibir o maior desprezo que era possível apenas com o olhar, pois homem vivido era Thornton. 
Ele sabia que naquela terra, que naqueles tempos, o que importava era o que os olhos diziam. Palavras não tinham significado para as pessoas. Eram mal utilizadas. Eram confusas. Eram pervertidas e profanadas por monstros que não sabiam o que fazer com a linguagem. O relevante estava na curvatura da sobrancelha, na tensão dos músculos da face, nas rugas que se formavam na testa. Na paisagem do rosto. Cada rosto era uma montanha 
ou uma floresta 
ou uma planície 
ou um litoral 
ou uma costa 
ou um cânion 
ou um deserto 
como o que cercava Mavrak.

Antônio Xerxenesky — Areia nos dentes



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Podcasts que eu ouço


Quem me acompanha há mais tempo aqui no blog sabe que a mídia podcast tem ganhado um espaço cada vez maior no meu coração (e no tempo escasso tempo, hehe). Tanto é que eu comecei um podcast próprio — o Rock Pelo Mundo, no site Agregarium, onde eu apresento bandas de rock de diversos países —, e co–criei um com meus amigos Lucas e Matheus — o SobrEscrever, no site Leitor Cabuloso, onde discorremos sobre o ato de criar histórias com palavras.

Assim sendo, acho justíssimo apresentar a vocês os podcasts que eu acompanho, e talvez angariar mais alguns ouvintes para eles :)

Vou separá–los em duas categorias: aqueles que ouço todo e qualquer episódio; e aqueles que ouço dependendo do tema. Não que eu goste mais de uns do que dos outros, é que... mentira, eu gosto mais de uns do que dos outros mesmo, fazer o quê, haha, tenho que ser honesto. Além disso — além de apresentar a lista deles, agora —, vou esmiuçá–los um pouco mais ao longo de posts vindouros, até completar TODOS OS 49 PODCASTS QUE ACOMPANHO :)

Então eis as listas:


PODCASTS DOS QUAIS OUÇO TUDO
(estão em ordem alfabética; não de preferência)
  1. 30:MIN
  2. 99 Vidas
  3. Agentes do L.I.V.R.O.
  4. Biblioteca de Bolso
  5. CabulosoCast
  6. Caixa de Histórias
  7. Clube do Livro CBN — José Godoy
  8. Crazy Metal Mind
  9. Curta Ficção
  10. Escriba Café
  11. Ex Libris
  12. Ghost Writer
  13. JPC Cast
  14. Lançamentos do Metal
  15. LiterárioCast
  16. LivroCast
  17. O Drone Saltitante
  18. Os 12 Trabalhos do Escritor
  19. Papo de Autor
  20. Perdidos na Estante
  21. Pouco Pixel
  22. RapaduraCast
  23. Sword & Laser
  24. Trasgo
  25. Três Páginas
  26. Writing Excuses

PODCASTS QUE OUÇO DEPENDENDO DO TEMA
(também em ordem alfabética)
  1. Alô Ténica
  2. AntiCast
  3. BrainCast
  4. Canal 42
  5. Covil de Livros
  6. Debate de Bolso
  7. Dragões de Garagem
  8. Edição Rápida
  9. Gente que Escreve
  10. Hora Alucinógena
  11. LexCast
  12. Marca Página
  13. Matando Robôs Gigantes
  14. Mundo Freak Confidencial
  15. NerdCast
  16. O Podcast é Delas
  17. Papo Lendário
  18. PapriCast
  19. Rádiofobia
  20. Rádiofobia Classics
  21. Reloading
  22. SpheraCast
  23. WattCast

Como vocês podem perceber, todos os nomes estão linkados para os devidos sites; logo, aguardem, em breve, o começo dos comentários sobre cada um ;)

sábado, 22 de julho de 2017

Extemporâneo, de Alexey Dodsworth


Se há uma coisa que é difícil eu fazer é comprar livros na pré–venda. Sei lá, não vejo urgência em ter algo que não seja de primeira necessidade — e, queiramos ou não, livros não o são. Para que isso aconteça, ou eu tenho que estar esperando desesperadamente um lançamento — cof cof, Os ventos do inverno, cof cof — ou o preço da pré–venda tem que estar lá embaixo. Pois bem: com Extemporâneo não aconteceu nenhum dos dois. Então por quê, Rahmati, você comprou esse livro antes do lançamento?

Simples: porque Alexey Dodsworth se encaminha perigosamente para ser o meu autor de ficção científica nacional favorito. Só não o afirmo abertamente porque ele tem um páreo duro no Luiz Bras.


Extemporâneo conta a vida de uma pessoa como todos nós, que acordamos todo dia num corpo e numa realidade diferente. A grande diferença é que o/a protagonista se lembra disso e nós não. (Ou, ao menos, é isso o que o/a protagonista nos diz.) Mas por que eu estou usando esse “o/a”? Uai, eu não disse que ele/ela acorda todo dia num corpo diferente? Mas tem, ainda, um elemento complicador: não é “todo dia”. É sempre dia 14 de janeiro de 2015. Os dias passados e futuros são ilusões, histórias criadas — pelo seu cérebro ou não — para dar a impressão de continuidade. Pense: você sempre vive no hoje, não é? O ontem é uma lembrança — que pode não ser real —, e o amanhã é só — e sempre — uma expectativa.

Assim sendo, nosso(a) digníssimo(a) protagonista acorda, para começar o dia, no começo do livro, no corpo de George Becker, um brasileiro que vive em uma realidade onde o nazismo é a filosofia reinante no mundo, e há um homem, amarrado nu na sala de estar, sendo torturado pela namorada e por ele — ou, para ser mais exato, pelo “eu” em que ele acaba de cair. Como eu disse, o/a protagonista é diferente dos outros; ele/ela demora a retomar as memórias do novo corpo, e ainda está lutando, nesse início, com as memórias da dançarina espanhola de dança do ventre que era sua identidade antes de dormir.

Mas chega da história e vamos à narrativa. Dodsworth, naturalmente, a constrói com maestria. “Naturalmente” porque eu já esperava isso, por ter lido o excelente Dezoito de Escorpião. Os elementos da história vão sendo apresentados no ritmo certo e de maneira muito eficaz para manter o interesse e aumentar a tensão com a situação esdrúxula que o/a personagem passa. Ele escreve muito bem, também, sem usar de malabarismos para “enriquecer o texto” — o que, invariavelmente, acaba empobrecendo–o. Ele diz o que precisa dizer com as palavras necessárias, assim como Gaiman. A única ressalva aqui é quanto ao trabalho de revisão da editora Presságio, que deixou passar muitos (muitos mesmo!) errinhos de digitação e diagramação. (A minha cópia teve até mesmo um capítulo inteiro repetido.) Há de se ter muito mais atenção quanto a essas coisas, senhores editores e revisores.

No entanto, é claro que isso não diminui a qualidade da obra. Dei 5 de 5 estrelas no Skoob, porque de fato é isso que ela merece. Extemporâneo desconstrói preconceitos, clichês e expectativas de maneira deliciosamente perturbadora :)

Arte de Alexandra Calisto. Não é da obra, mas tem tudo a ver :)

Ah, e já ia esquecendo: quem leu o Dezoito de Escorpião vai gostar ainda mais de Extemporâneo :D


.: E este acabou sendo, sem querer, o quarto livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros, por se encaixar no item “Um livro que se passe em diferentes reinos”! :.


Livro: EXTEMPORÂNEO •
• Autor: ALEXEY DODSWORTH •
• Editora: Presságio •

Personagens: ★★★★
Trama: ★★★★
Escrita: ★★★★
Ambientação: ★★★★
Revisão: ★★
Capa: ★★★

sábado, 15 de julho de 2017

Um trecho marcante de Alexey Dodsworth #2


Pelo visto, essa realidade é como a maioria das outras: uma Inglaterra governada pela rainha Diana e pelo rei Charles. E eu que cogitei ter ido parar nos Estados Unidos! Esse é outro aspecto curioso de acordar em realidades alternativas: as pessoas mudam o tempo todo, tanto quanto eu mudo. Quase toda identidade é contingente. Entretanto, por alguma razão que me escapa, algumas pessoas parecem ser necessárias. Na maioria dos mundos, há uma rainha Diana e um rei Charles. Em alguns poucos, Diana foi assassinada, ou cometeu suicídio, ou fugiu com amantes de ambos os sexos. Sempre há, todavia, uma Diana. Em algumas poucas realidades bizarras, a rainha da Inglaterra de 2015 ainda é Elizabeth em uma versão assustadoramente idosa que dá a impressão de uma múmia ressurreta. Quase sempre há um Jesus Cristo, um Napoleão, um Hitler, um Albert Einstein. E um Michael Jackson! Eu adoro os mundos em que Michael Jackson é um cantor famoso, mas, apesar de ele sempre existir, nem sempre é cantor. Em uma das vezes, pelo que lembro, Michael Jackson havia morrido aos nove anos de idade, vítima de maus tratos parentais, e não passava de um nome num recorte velho da página policial de um jornal americano. A realidade, às vezes, é uma verdadeira bosta. Ora, a quem eu quero enganar? A realidade é sempre meio que uma bosta, a diferença está no tipo de fedor que ela exala.

Alexey Dodsworth — Extemporâneo



Só quero avisar: agora que estou na página 57, e já estou apaixonado por esse livro!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Teorema de Mabel, de Matheus Ferraz


.: Este é o segundo livro do Desafio Literário Clube de Autores, de um total de 7 livros! :.


Estou me animando com esse desafio literário! A primeira obra que li já foi a ótima Zé Calabros na Terra dos Cornos, e agora encontro essa também muito boa Teorema de Mabel…! Mas Rahmati, você está dando spoiler da sua avaliação…! Ué, e daí? Tenho obrigação de fazer resenha certinha? :P

Então, já sabendo que eu gostei bastante da obra, leia para descobrir por quê.


Mabel é uma menina que saiu do interior de Minas e foi para o mais–interior–ainda, em busca de um sonho: ser datilógrafa do maior escritor brasileiro vivo, Milton Dantas. (Aqui faço o primeiro parêntese: fui descobrindo aos poucos a época em que a obra se passava, através de poucas pistas soltas ao longo da trama. Ainda não decidi se gostei ou não disso.) Toda menininha, toda sonhadora, toda idealista, Mabel, ao chegar à residência do escritor, no entanto, se vê diante de uma realidade que não era, de forma alguma a que ela esperava. Ela fora escolhida por um motivo — que envolve sua máquina de escrever —, e essa revelação poderia, de fato, acabar com toda a sua essência.

Parece uma ideia promissora, não é? Qual leitor não quer ler histórias sobre livros, escritores e outros leitores? É praticamente um gênero esse tipo de obra, não? A dúvida é: teria Teorema de Mabel sido bem executada, a ponto de nos deixar imergir na trama e apreciá–la devidamente?

E eu digo: com alguns poucos erros, sim! Tanto é, que eu li o livro em praticamente “duas sentadas”, como se diz. Carece de uma revisão mais cuidadosa, mas isso não tira em nada o brilho da trama.

Então falemos dela. Eu não esperava que o livro fosse se tornar o que se tornou. Como eu disse no post do desafio, linkado lá em cima, eu imaginava que seria um realismo mágico mais light, como nos romances do Carlos Ruiz Zafón, mas Teorema não é nada disso! É um livro realista, e já percebi isso logo nas primeiras páginas. Então comecei a pensar que seria uma trama como a maioria das obras mainstream, com foco na forma e não na trama, mas a coisa seguia tão ágil que também não demorei a perceber que essa minha segunda visão também estava errada! Teorema tem uma trama sólida, interessante e bem armada. As personagens surpreendem, são verossímeis e as reviravoltas do final são surpreendentes mas nem um pouco exageradas. Tudo é construído de maneira crua e crível — talvez os dois melhores adjetivos para descrever essa obra, e em suas melhores acepções.

Teorema de Mabel não só merece a leitura como merece sair por alguma editora. Esperemos agora as próximas obras do autor, Matheus Ferraz, que parece ter um futuro promissor.

Nota 3,5 de 5.



 Livro: TEOREMA DE MABEL •
• Autor: MATHEUS FERRAZ •
• Editora: Independente •

Personagens: ★★★★
Trama: ★★★★
Escrita: ★★★
Ambientação: ★★★
Revisão: ★★★☆
Capa: ★★★

domingo, 25 de junho de 2017

As Formigas, de Bernard Werber


.: Este é terceiro livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros, e é o item “Um livro com animais falantes”! :.


Confesso que li As formigas sabendo o que dele esperar por causa de um erro que cometi no passado. Há alguns anos, encontrei um interessante volume num sebo intitulado A revolução das formigas; comprei–o e li… e só depois descobri se tratar do 3.º volume de uma trilogia. Pois é. A beleza de tudo é: isso não tirou nem um pouco do prazer da leitura, porque são meio que volumes independentes. Ou, ao menos, o é o terceiro, porque não li o segundo para saber. Então, para começar a sanar o erro, comprei o primeiro volume, do qual aqui vos falo.


As formigas tem duas linhas narrativas muito distintas, e muito interessantes. Em uma delas, uma família herda uma casa, de um tio cientista desaparecido, onde há um porão lacrado e um bilhete deixado dizendo claramente para não o abrirem de forma alguma… e é óbvio que, por isso mesmo, eles os abrem. A partir daí, todos que entram buraco abaixo desaparecem — o pai, a mãe, o filho, os bombeiros, os policiais…

Na outra narrativa, acompanhamos a vida das formigas da capital Bel–o–kan. Sim, a cidade tem nome. Descobrimos, nessa parte, que as formigas têm uma sociedade muito estruturada, trabalham e descansam, conversam sobre tudo (não através de sons, mas de feromônios, que são emitidos e captados através de suas antenas), e que também têm, apesar do forte senso de comunidade, individualidade e vontades próprias — inclusive de explorar o mundo e conhecer coisas novas. Acompanhamos as guerras desse povo, seus amores e aventuras sexuais (algumas bem bizarras, por sinal), suas traições, segredos e mistérios… e é aí que essa parte faz eco com a outra: esse livro, além de uma fantasia / ficção científica, é um romance policial e um thriller. Somando ao mistério dos humanos desaparecidos, há o das formigas com cheiro de rocha que estão tentando (e conseguindo) matar os protagonistas insetos do livro, infiltrados dentro de Bel–o–kan.

As formigas foi um romance tão gostoso de ler quanto o terceiro volume da trilogia. Claro que Bernard Werber não é o novo Victor Hugo da literatura moderna, mas sua prosa simples não se torna um ponto fraco justamente por causa de sua criatividade — especialmente ao intercalar, separando as cenas das formigas das dos humanos com inserções da Enciclopédia dos saberes relativo e absoluto, livro escrito pelo tio cientista desaparecido, que discorre sobre as diferenças e semelhanças entre as espécies dos humanos e das formigas, trazendo sempre reflexões muito pertinentes e inteligentes.

Merece cada décimo da nota 4 de 5 que eu dei no Skoob ;)


Livro: AS FORMIGAS •
• Autor: BERNARD WERBER •
• Editora: Bertrand Brasil •

Personagens — Formigas: ★★★
Personagens — Humanos: ★★
Trama: ★★★★☆
Escrita: ★★★
Ambientação: ★★★★
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★★☆

sábado, 10 de junho de 2017

Mundos paralelos, organizada por Felipe Sali


Todos que acompanham o blog sabem que eu sempre valorizo a literatura nacional — já fiz resenhas de livros físicos, e–books e, inclusive, contos do Wattpad. Qual foi a minha surpresa, então, quando vi a coletânea Mundos paralelos, em parceria da Mundo Estranho da editora Abril justamente com o site Wattpad, numa banca de revistas! É claro que comprei.


Nessa coletânea, o organizador Felipe Sali juntou autores famosos no Wattpad — que, todo mundo deve saber, é uma plataforma / rede social de escritores — e pediu–lhes que escrevessem um conto inédito para a obra. É claro que, justamente graças à proposta de ser também uma rede social, onde os “likes” contam muito (e aqui são votos), nem sempre os mais famosos são os que necessariamente escrevem melhor — o são, na verdade, aqueles que têm um maior engajamento com o seu público. Longe de mim dizer que todos os famosos escrevem mal ou que os que escrevem bem não são reconhecidos; só estou dizendo que essa acaba não sendo a regra da plataforma.

Assim sendo, comprei a coletânea justamente para avaliar isso: a qualidade dos autores selecionados e dos contos escritos… E já devo dizer que só confirmei o que imaginava: que abundam as boas ideias estragadas por más execuções, mas que haveria, claro, contos bons, apesar disso.

Para ser mais específico, vou fazer um breve comentário sobre cada um dos 10 contos. Espero não irritar ninguém, mas, se isso acontecer, paciência.

Caça e caçador, de Rô Mierling

De cara, já a confirmação do que eu temia: escrita quase amadora, ideia “inspirada” pela moda de distopias adolescentes — onde pessoas têm que se matar por causa do governo malvado —, personagens estereotipados e trama previsível. O final melhora um pouco a coisa toda, mas, ainda assim, merece uma nota 2 de 5.

Alegoria da caverna, do organizador Felipe Sali

Esse é melhor do que o primeiro. A escrita melhora, e a história é mais interessante, uma ficção científica que trabalha, como o título sugere, e a possibilidade de se contentar com ilusões agradáveis ao invés da dura realidade. É um bom conto, mas senti que faltou aquele tchan que fisga o leitor. Nota 3 de 5.

Sobrenatural, de Lilian Carmine

Esse conto me deixou com um sorriso no rosto! A escrita não é nada que se diga memorável, e é bem leve especialmente por narrar o ponto de vista de uma adolescente, mas a história de fantasia, além de tratar de uma coisa que sempre me deixa pensando — do tipo, “como seria se…” —, tem um finalzinho que realmente me pegou de surpresa. O conflito se resolve muito rápido para o meu gosto, mas tem referências legais. Nota 3,5 de 5.

Amigo de lata, de Aimee de Oliveira

Um conto bem interessante por causa da abordagem psicológica da ficção científica. Nesse ponto da leitura, eu estava pensando “nossa, colocaram os contos numa ordem de o pior para o melhor”, mas quem dera se fosse assim. A escrita de Aimee é boa, a trama se desenvolve numa boa velocidade e a relação da protagonista com o “amigo de lata” do título é gostosa de se ler — e o final é bom. Nota 3,5 de 5.

Perfeito problema, de Clara Savelli

Aí voltamos aos problemas do primeiro conto: escrita; trama inverossímil; distopia adolescente… só que ainda mais inverossímil e adolescente do que aquele. Não tem nem a salvação do final interessante. Nota 1,5 de 5.

Abbie, de Marcus Barcelos

Ao que tudo indica, esse conto diz–se de terror e trata de possessão por um espírito maligno. “Ao que tudo indica” porque eu desisti do conto no meio. Não que seja exatamente ruim; acontece que começa com uma escrita tão chatinha e tanto infodump para um conto curto que, honestamente, eu já não me interessava pelo que aconteceria antes mesmo que acontecesse. Só acho que, em um conto em que as coisas demoram a começar a acontecer, a escrita deve garantir a permanência do leitor. Nota 1 de 5.

Memórias perdidas, de Juliana Parrini

A ideia desse é legal — uma cientista que se torna cobaia do próprio experimento em prol da humanidade e acaba mudando de ideia por egoísmo. Acontece que faltou técnica para passar isso para o papel de maneira emocionante. Tudo acontece na ordem “certa”, digamos, mas o conto me pareceu meio como uma comida de restaurante popular — o tempero está lá, mas… falta algum cuidado na preparação. Nota 2,5 de 5.

Liberdade comprometida, de Thati Machado

Nesse conto, voltamos mais uma vez às distopias de governos malvados, mas aqui a autora, além de escrever melhor, traz uma visão mais interessante às coisas. Existe um questionamento válido às questões de cores de pele e classes sociais, e a mensagem que o conto passa não é rasa quanto a dos outros contos do mesmo gênero na coletânea. Nota 3 de 5. (Obs.: Só o sobrenome da personagem poderia ser melhor, né, dona autora? “Condon”, jura?)

Perpetuação, de Mila Wander

Outra distopia. Falar o quê, né? Está na moda mesmo. Outra coisa que está na moda é escrever no tempo verbal presente. Mas concordo que nenhum desses aspectos é um ponto negativo por si. O que os torna ainda mais maçantes é que não há muita coisa que ajude aqui — a trama, ou a escrita, ou os personagens, ou o conflito que se resolve de maneira rápida e boba… Nota 1,5 de 5.

Fragmentos, de Chris Salles

A trama desse conto é mais interessante — nela, a protagonista, ao contratar uma empresa de teletransporte, descobre que, na verdade, ao invés de levar uma pessoa do ponto A ao ponto B instantaneamente, eles criam uma cópia da pessoa no ponto B. Acontece que a boa premissa se perde num desenvolvimento confuso e apressado. Nota 2,5 de 5.


No final, então, a média é de 2,4, mas vou dar mais 0,5 pontinho por causa do projeto gráfico, que é lindo, com um verde–água muito bonito no miolo todo, e com uma ilustração para cada conto — mas é uma pena que não é só de projeto gráfico que vive a literatura. Faltou aqui um bom revisor — tanto nas questões de ortografia e gramática quanto nas de trama e verossimilhança das cenas —, e isso, infelizmente, reduziu muito a qualidade que a obra poderia ter. Nota final de 2,9 de 5.

Sinto muito, Wattpad, mas ainda não foi dessa vez que você me convenceu a dar atenção aos usuários que ostentam suas milhares de leituras.

¯\_(ツ)_/¯

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Um trecho marcante de Jeff VanderMeer #2


Você deve perceber quanta angústia tudo isso me fez sentir. Tudo o que tínhamos eram os relacionamentos dentro da empresa. Todas as informações vinham de uns para os outros. O que esperava por nós a cada noite na cidade, não suportávamos descrever. 
Esses funcionários haviam estado em meu apartamento. Eu tinha compartilhado meu aumento com eles. Tinha passado os feriados tanto na casa de Mord quanto na de Leer, apesar do perigo das ruas. Nós tínhamos feito caminhadas pelos edifícios da vizinhança como desculpa para almoços longos. Mord dividiu comigo a triste situação de sua esposa meio plástico, meio carne. Leer contou sobre sua infelicidade em casa, com um marido que preferia enfiar enguias de memória em seu reto a passar algum tempo com ela. Eu tinha partilhado minha solidão, de como era difícil encontrar o amor se alguém não o tivesse trazido com ele enquanto fugia da desintegração do mundo. Tinha mostrado a eles as poucas fotografias que eu ainda tinha de meus pais durante suas férias em algum lugar exótico perto do mar, colunas de mármore atrás deles. As ruínas de sorrisos desbotados, os quais tinha que interpretar tanto. Nós tínhamos falado tanto sobre o quanto perdemos da rigidez dos velhos tempos, o quanto a qualidade fluida do que acontecia agora, em casa e no escritório, nos assustava, não importando o quanto tentássemos negar. Como ninguém que tivesse nascido agora poderia entender o quão diferente tudo tinha sido, uma vez. 
Por essa razão, por termos sido tão chegados por tanto tempo, culpo Scarskirt pelo meu isolamento crescente. Era lindíssima e animada e todos a amavam, mas agora acredito que ela escondia uma ferida secreta de nós, que já estava marcada muito antes de nos conhecermos. Que nunca ligou para ninguém e cobiçava meu trabalho desde o momento em que foi contratada, apesar de minha simpatia. Apesar de eu ser tão aberto. Apesar do fato de eu ter dividido todos os meus besouros de treinamento com ela. Não alterei um único antes de entregá–los a ela. Três ou quatro empregados morriam todo ano de besouros envenenados dados por seus treinadores. Mas eu a tinha aceitado em meu grupo, sem maldade em meu coração. 
No entanto, minha confiança agora significava meu isolamento. Meu único consolo vinha do meu escritório, onde ainda controlava meus besouros, e a cabeça falante de crocodilo que fiz me contava piadas quando me sentia deprimido.

Jeff VanderMeer — A situação



quinta-feira, 18 de maio de 2017

Zé Calabros na Terra dos Cornos


.: Este é o primeiro livro do Desafio Literário Clube de Autores, de um total de 7 livros! :.

Quando eu me propus a iniciar esse desafio, de ler obras autopublicadas pela plataforma Clube de Autores, confesso que imaginei que encontraria apenas obras cruas. (Supremo egocentrismo de minha parte? Estaria eu achando que somente a minha obra estaria bem finalizada? Que feio…) Assim sendo, comprei o Zé Calabros na Terra dos Cornos porque achei que seria a mais divertida para começar, e caí do cavalo com meus preconceitos, porque o livro é um puta livro bom.


Acertei, pelo menos, na parte do divertido — pensem num livro engraçado e com cenas hilárias…! A história acompanha o personagem principal, o Zé Calabros, desde o momento em que ele salva um “náufrago” que está prestes a morrer afogado, e passando pelos principais momentos do passado do protagonista, que o levaram a ser quem é. Acontece que o tal náufrago é uma moça, Mara'iza, de um império distante e, assim com a terra de Zé, a Cornália, é análoga ao nosso Nordeste, a de Mara é análoga ao Japão — mas, ainda assim, tudo com um curioso toque de nordeste, e isso é muito bem construído. Aliás, a construção de mundo do autor, Tiago Moreira, é incrível. Além de ele escrever muito bem, criou uma terra fantástica, cheia de criaturas mágicas conhecidas, mas que têm um quê muito peculiar — e muito arretado. Como eu disse, tudo aqui cheira a Nordeste — as partes boas e as partes ruins dele —, e é tudo tão bem amarrado, tão bem descrito e “climatizado” que a verossimilhança e a veracidade que o Tiago passam são irretocáveis. Esses dois personagens são vivos, cheios de personalidade, fortes e humanos… mas não é só na construção dos heróis que o autor brilha — seus vilões, os cangaceiros, são memoráveis.

O principal deles é o Severino Barrida D'Água, o Rei do Cangaço, mas não é o único bem construído: temos os ótimos Petrúquio Fragoso, Velho Tição e sua Sônia Regina, Virgulino Cornoaldo, Chassi de Grilo… Cada um com suas particularidades e motivos. 

(E existem ainda os excelentes e cômicos Svar e Brunnhardt, de nomes tão diferentes do que é visto no livro e dos quais não vou falar muito para não estragar a surpresa, além dos secundários que também têm arco narrativo importante.)

Mas acham que são somente os personagens, a construção do mundo e a escrita os pontos fortes do livro? Pois estão enganados. A trama também é muito bem trabalhada; o caminho dos personagens está entranhado com o background de forma muito bem–feita e, apesar de o livro ter quase 500 páginas, não senti “barrigas” em lugar nenhum. Tudo o que está lá tem motivos, dos flashbacks aos diálogos, das pausas para os descansos às batalhas… e aqui eu quero pontuar mais um ponto forte da obra: as próprias batalhas. O Tiago Moreira não perde tempo narrando trivialidades, mas descreve tudo o que tem que descrever para deixar as cenas de luta — tanto um–a–um como em defesa de cidades — cinematográficas, verossímeis e emocionantes ao mesmo tempo. Destaco três delas: a contra o dragão (sim, há dragões!); a em defesa da cidade de Bota do Judas; e a invasão de São Vatapá do Norte. Aliás, mais uma coisa divertidíssima: os nomes das cidades! Curva do Vento, Bota do Judas, Beira da Larica, Meu Jisuis Cristin, Meiducamin, Meidunada… Excelente! E cinematográfica também é a cena da chegada dos quatro cavaleiros a São Vatapá do Norte.


Mas, calma lá, Rahmati; falando assim, parece que a obra não tem pontos fracos… E então eu digo: não tem mesmo! Não estou brincando; posso colocar o Zé Calabros na Terra dos Cornos quase em pé de igualdade com as obras de fantasia que mais curti nos últimos anos, como O inimigo do mundo e O caçador de apóstolos do Leonel Caldela, ou o Mistborn: O império final do Brandon Sanderson… Tiago Moreira tem tudo para se consolidar como um grande autor nacional de fantasia — é só não deixar, na minha opinião, todo esse brasileirismo que ele apresentou em Zé Calabros de lado nas continuações, que parece que existirão, já que o volume traz o subtítulo As crônicas anímicas na capa… (Bom, para falar a verdade, existe uma ressalva: há um viés político na obra — que não me incomoda muito, por eu não discordar totalmente dele, mas ele está lá. Alguém mais sensível a esse posicionamento pode se incomodar, mas essa é, afinal, uma escolha consciente do autor, e deve ser respeitada (e repito: não tira nadica de nada do mérito da obra)).

Enfim — parabéns para o Tiago Moreira por uma obra de estreia tão incrível, e só torço para que ele seja reconhecido, consiga muitos leitores e continue trazendo aventuras do Zé e da Malinha :D


Livro: ZÉ CALABROS NA TERRA DOS CORNOS •
• Autor: TIAGO MOREIRA •
• Editora: Independente •

Personagens: ★★★★
Trama: ★★★★☆
Escrita: ★★★★☆
Ambientação: ★★★★
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★★☆

sábado, 6 de maio de 2017

Memória da água, de Emmi Itäranta


É possível se escrever um romance baseado especialmente em um clima, no sentido de sentimento, vibe, atmosfera? Porque me parece que foi isso o que aconteceu com Memória da água, da finlandesa Emmi Itäranta.


.: Este é segundo livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros, e é o item “Um livro com um dragão na capa”! :.

No mundo retratado por esse livro, finalista do prêmio Philip K Dick, como vocês podem ver na imagem, a China é a grande potência dominadora de um mundo que sofre da total degradação das fontes de água potável. A história se passa primariamente na União Escandinávia, território agora pertencente ao Novo Qian, e mesmo aquele lugar, hoje terra de lagos, é um desertão sem fim. Como o regime vigente é o militarista, são eles, os militares, que controlam todas as (poucas) fontes de água existentes — assim como a história que é contada aos civis, onde todo o passado do mundo foi obliterado dos registros.

E é aí que entra o drama da família Kaitio — o pai, o Mestre do Chá; a mãe; e a menina Noria, a protagonista e narradora. A profissão do pai — realizar tradicionais cerimônias do chá — exige água, e todos nessa sociedade têm cotas muito restritas. O centro da trama é a chegada das investigações ostensivas do exército a esse lugar, e o clima de opressão que as pessoas passam a sentir nesse momento, justamente o momento em que o pai está passando os segredos da arte à filha.

O livro todo é escrito num belo e tocante tom melancólico, que fala de tempos que não mais voltarão, de coisas que foram perdidas em tempos mais prósperos, de felicidades que parecem ser utópicas demais para serem alcançadas. A prosa é muito bem escrita; a autora domina completamente o ritmo e a intenção de seu texto, e ainda que alguns leitores possam dizer que a trama demora a avançar, deve–se ter em mente que não é esse o objetivo; parece–me ser muito mais causar no leitor o estado de espírito necessário para compreender a amplitude do sofrimento dos moradores daquele regime.

É impossível não sentir a tristeza desoladora e impotente da protagonista quando as coisas lhe acontecem — os destinos da mãe, do pai, da amiga, do seu próprio. Memória da água passa uma mensagem preocupante e necessária, e ter chegado até aqui, vindo da Finlândia — caminho incomum de ser percorrido — é um alento, ainda que a obra não pareça ser tão conhecida. Merece demais a leitura, especialmente por me parecer estarmos encaminhando para um mundo muito semelhante ao nela retratado — a desertificação e a dominação por regimes totalitários com a manipulação da história oficial.


• Livro: MEMÓRIA DA ÁGUA •
• Autor: EMMI ITÄRANTA •
• Editora: Galera •

Personagens: ★★★★☆
Trama: ★★★★☆
Escrita: ★★★★☆
Ambientação: ★★★★
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★★☆