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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um trecho marcante de Chuck Palahniuk


Os investigadores da polícia levaram o panaquinha pro centro num carro à paisana e aí subiram num prédio feio e sentaram com ele e sua mãe adotiva temporária, e perguntaram: Ida Mancini vinha tentando entrar em contato com você? 
Você tem ideia de como ela está se bancando? 
Por que, na sua opinião, ela tem feito essas coisas? 
E o garotinho ficou observando. 
A ajuda chegaria em breve. 
A Mamãe costumava pedir desculpas pra ele. As pessoas vinham dando duro há tanto tempo pra fazer do mundo um lugar seguro, organizado. Ninguém percebeu como ele ia ficar sem graça. Porque o mundo inteiro ia ser demarcado e ter sua velocidade limitada e rezoneado e tributado e coordenado, e todo mundo ia ser testado e registrado e endereçado e gravado. Ninguém tinha deixado espaço livre pras aventuras, fora as que se compram. Montanha-russa. Cinema. Ainda assim ia ser aquela coisa de empolgação falsa. Você sabe que os dinossauros não vão comer as criancinhas. Nesses testes de exibição, o público votou contra qualquer chance de desastre, mesmo que seja falso. E já que não existe possibilidade de um desastre real, de risco real, ficamos sem chance de salvação real. De júbilo real. De empolgação real. De alegria real. De descoberta. De invenção. 
As leis que nos dão segurança são as mesmas leis que nos condenam ao tédio. 
Sem ter acesso ao verdadeiro caos, nunca teremos paz de verdade. 
A não ser que tudo fique pior, nada vai ficar melhor. 
Era isso que a Mamãe costumava contar pra ele. 
Ela falava: 

— A única fronteira que ainda se tem é o mundo dos intangíveis. Todo o resto está amarrado, bem amarrado. 
Enjaulado por leis demais. 
Por intangíveis ela queria dizer a internet, os filmes, a música, as histórias, a arte, os boatos, os softwares, tudo que não era de verdade. Realidades virtuais. Os faz de conta. A cultura. 
O irreal é mais poderoso que o real. 
Porque nada é tão perfeito quanto se imagina. 
Porque a única coisa que dura são as ideias intangíveis, os conceitos, as crenças, as fantasias. Pedra se esfarela. Madeira apodrece. Gente, bom: gente morre. 
Mas coisas frágeis como um pensamento, um sonho, uma lenda, essas duram e perduram.
Chuck Palahniuk  No sufoco

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