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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Um trecho marcante de Leonel Caldela & Deive Pazos


Ozob começou a pensar no que faria com o resto do dia e, principalmente, com a noite seguinte. Seu estômago já fervilhava, ardendo. O peito parecia estar sob um peso enorme. Eram os sintomas da lembrança, já fazia algum tempo que estava sóbrio e não tinha algo para ocupar a mente. A noção dos dois anos de vida se aproximou dele por todos os lados, fechando–se a seu redor, provocando uma espécie de claustrofobia. Pensou em começar uma briga. Lutar era sempre algo estimulante. O coração bateu mais rápido e ele andou mais rápido. Ia para lugar nenhum, mas andar rápido diminuía a sensação de que os minutos estavam passando inexoravelmente e que cada um o levava mais para perto do fim. Ele não estava fazendo nada divertido naquele momento. Era tempo perdido. Era tempo que não iria mais voltar. 
Dois anos. 
Dois anos. 
Dois anos. 
Ozob achou que estava prestes a vomitar, o coração batendo forte na garganta, quando seus implantes neurais fecharam uma sinapse. Ele estava recebendo uma mensagem pelo EgoBliss, uma das seis redes sociais instaladas nos implantes cibernéticos em seu cérebro. 
Com um comando mental, verificou a origem da mensagem. California o havia marcado como amigo. Em sua mente, Ozob viu o rosto da garota, ouviu o timbre de sua voz, foi invadido por relances de memórias que eram dela. Deu um novo comando mental, para ler a mensagem. 
Assim como todas as redes sociais, o EgoBliss era recheado de propagandas. Cada relação interpessoal tinha seus próprios patrocinadores. A amizade com California era um patrocínio de Nux–Cola. Nux–Cola, o sabor da amizade! Para acessar a mensagem, Ozob permitiu que a marca de refrigerante enviasse um comercial diretamente aos centros de prazer em seu cérebro. Foi invadido pela vontade de tomar Nux–Cola. Então pôde falar com a garota, numa interação aprovada pelas duas corporações envolvidas. 
Espero que você e a Vivika tenham se dado bem. 
— Vou precisar de uns curativos, mas foi divertido. 
Ozob mandou uma impressão de sarcasmo, que era uma imagem sua com um meio sorriso e uma sobrancelha arqueada. 
— Eu também me diverti ontem à noite. 
— Algum namorado ou namorada? 
Na verdade, estava falando de você. Gostei de conversar com você. Se quiser falar mais sobre sua sentença de morte, estou aqui. 
A menina não tinha meias–palavras. Ozob gostava disso. Parou num boteco para comprar uma Nux–Cola (a vontade parecia mastigar sua mente) e recebeu mais uma mensagem antes de responder: 
Temos outra missão hoje. Vamos agir de novo, antes que o DAA saiba o que os atingiu.
— Isso dá dinheiro? 
Dá coisa melhor que dinheiro. 
— Você vai dizer que vão de novo espalhar a música do seu messias com dentes podres? 
Hoje vamos a uma igreja com pregação antialienígena. Subsidiária da Loykos S.A. 
Era uma corporação que vendia comida processada. Mais especificamente, carne de alienígena. 
— O que vão fazer? 
Vamos invadir a igreja, é claro! Vamos ver o horror nas caras daqueles fanáticos alienfóbicos. Se quiser ir conosco, vai ser divertido. 
— Acho que preciso de outro tipo de diversão, garota. 
Tudo bem. Mas, se mudar de ideia, encontre–nos às 7 no Distrito Eclesiástico. Gostei de conversar com você. 
A imagem de California se apagou da mente dele. substituída por mais interferência da Nux–Cola em suas conexões neurais. O EgoBliss mais uma vez o lembrou que aquela amizade era patrocinada pela marca de refrigerante, fora possibilitada pela rede social e tinha sido aprovada pelo Conselho de Ética das Relações Humanas, outro órgão operado em conjunto por várias corporações. 
Ele comprou outra Nux–Cola e notou que estava sorrindo.

Leonel Caldela & Deive Pazos — Ozob vol. 1: Protocolo Molotov, 2015

Ozob em ilustração de Marco Teixeira

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Links para a obra do Rahmati


Nesse post você tem acesso a todas as minhas obras publicadas :)

Os links para compra / leitura / download estão embaixo de cada imagem.



--------------------------------------------ROMANCES--------------------------------------------



Meu primeiro romance. Uma fantasypunk  uma fantasia com elementos de outros estilos, como ficção científica, fantasia urbana e história alternativa.
448 páginas, autopublicado, 2016. Sinopse:
O ano de 995 d.C. não será facilmente esquecido por Acqua.
Nesse ano, o clima enlouqueceu. Um demônio antigo causou genocídios na Índia, no Congo e na Finlândia. A Infinita Guerra entre os impérios do Japão e da América do Norte se tornou a Segunda Guerra Mundial, com a morte de milhares de pessoas em um grande evento esportivo no império da América do Sul. Os refugiados de Gaza viram seu lares serem varridos pelos ventos de morte de um espectro. E tudo isso acontecer no mesmo ano não foi, naturalmente, uma coincidência. O epicentro de todos esses eventos foi uma dezena de pessoas, coagidas a estar juntas, reunidas pelos deuses... ou por aquela força maior chamada de destino?
Talvez o ano de 995 devesse ser, na verdade, esquecido, ao fim de tudo.

ADQUIRA AQUI:


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Para adicioná–lo no Goodreads, clique aqui.

*


Meu segundo romance, dessa vez um de ficção realista. Lançado para concorrer no Prêmio Kindle.
187 páginas, autopublicado, 2017. Sinopse:
Ellijah descobre que gosta de fotografar ao ganhar de Lorena, sua esposa, um celular que tira fotos. E melhor ainda: ele percebe que tem tino para a coisa. Ao mesmo tempo, o português Maximilian surge em sua vida e se torna um amigo, ampliando, com seu modo diferente de ver o mundo, seus horizontes fotográficos. Mas esse é um “hobby” que toma dinheiro — e sua esposa começa a apresentar uma doença misteriosa. O dinheiro não será suficiente para cuidar de tudo, e Élli precisa escolher entre seu novo sonho — ser um fotógrafo de natureza — ou abrir mão de tudo por Lorena. O problema é que ele nunca foi muito bom em tomar decisões.

ADQUIRA AQUI:


Para adicioná–lo no Skoob, clique aqui.


-------------------------------------CONTOS EM REVISTAS-------------------------------------


Conto: Noturno Deserto


Um conto de fantasia, no passado longínquo do mundo de Acqua, palco de meu primeiro romance, e que saiu na revista Trasgo #10, em 2016.



Conto: Apreensão


Um conto realista, jogando luz num aspecto desagradável dos nossos dias atuais, que foi escolhido para integrar a primeira edição especial da revista Gueto, intitulada Civilização e barbárie.

Em 2017, esse conto ficou em 5.º lugar no Prêmio Cataratas de Contos e Poesias, dentre 562 contos concorrentes.



--------------------------------------CONTOS DO DRAGÃO--------------------------------------


Esses cinco contos foram publicados pela editora Draco, também em 2016.


My shadow plan é um conto fantasypunk; um capítulo extra do romance O arquivo dos sonhos perdidos, onde os protagonistas têm que resolver um mistério em uma cidade amaldiçoada, onde chove o tempo todo.




Nil é um conto de fantasia inspirado em Neil Gaiman, e quase uma fábula sobre como encarar a morte.




Kamerorkester é um conto de terror urbano, onde o protagonista deve escolher se vai se tornar o herói ou o vilão de sua própria história.




Aquecimento global (Em fogo alto) é um conto de distopia fantástica com um toque de comédia — e onde a protagonista descobre uma explicação curiosa para o calor que enfrentamos nesses últimos tempos.




Paid in full é um conto de ficção científica, onde o protagonista tenta uma nova chance para salvar quem ama.



-------------------------------------CONTOS NO WATTPAD-------------------------------------


Esses contos foram publicados em 2016 e 2017, e são para leitura gratuita. São contos pequenos demais para ser justo cobrar por eles, ou fanfics com personagens cujos direitos pertencem a terceiros.


Lugar nenhum é um conto de fantasia, também passado em Acqua, mundo do romance O arquivo dos sonhos perdidos, que é uma versão do nosso mundo — aqui, mais precisamente do Nordeste brasileiro.




Into blue é um miniconto que pode ser de fantasia, de ficção científica, ou outra coisa, onde o protagonista se vê numa situação inesperada... mas não indesejada.




Sob as brumas repousa o inominável é uma ficção distópica baseada no universo Pokémon, onde agora as batalhas pokémon são consideradas crimes de maus-tratos contra os animais — como agora eles são chamados.



1963 é um conto que imagina o que aconteceu no passado dos personagens do seriado Chaves, oito anos antes de eles irem parar na vila.




O dia perfeito é um conto de ficção distópica, mas não arrisco dizer o quanto no futuro, onde o protagonista vive seu dia mais esperado.



Milésimo é um miniconto introspectivo e, a meu ver, necessário.




Alameda Arnold, 31.967 é um conto que mostra as misérias na vida de um homem bem na época do Natal. Foi escrito para o concurso de contos de Natal do podcast Wattcast e ficou em 2.º lugar.



Uma recorrente decepção é um conto que imagina o porquê de um evento aparentemente sem sentido em um famoso jogo de videogame.

A distância e a espera é um miniconto de ficção científica sobre o amor altruísta, aquele verdadeiro, que não pede nada em retorno.



Falha crítica é um conto que explica um grande mistério atual: por que todas as adaptações de filmes para o cinema são, no máximo, assistíveis?


* * *

domingo, 4 de dezembro de 2016

Relendo Harry Potter – Livro 4: O Cálice de Fogo


Seguindo minha épica jornada de releituras de uma das maiores sagas literárias da modernidade, chegou a vez de falar sobre Harry Potter e o Cálice de Fogo.

Tenho a impressão que gostei mais da releitura do que da primeira leitura. Será que saber para onde as coisas estão indo ajuda? Porque me parece que é aqui que começam as maiores críticas em relação ao trabalho da J K Rowling — a enrolação das histórias. Tudo bem; essa quarta parte da saga mostra muitas coisas: da Copa do Mundo de Quadribol ao Torneio Tribuxo, passando pelo passado de alguns personagens, a apresentação de muitos outros e a volta de Voldemort. É onde se consolida a virada no clima da história, iniciada pelo terceiro livro, O prisioneiro de Azkaban. É onde as histórias do mundo bruxo começam a ficar mais maduras. No entanto… realmente tudo parece acontecer meio devagar.


De qualquer forma, tenho sentimentos meio contraditórios em relação a este livro. Tem partes muito boas mesmo, de ação, como na invasão dos Comensais da Morte na final da Copa do Mundo de Quadribol, ou todas as três tarefas do Torneio Tribruxo, ou até mesmo as que os personagens são desenvolvidos, como no baile… Mas entre tudo isso me parece ter bastante gordura sobrando.  Talvez aqui a sra. Rowling tenha começado a ter “liberdade editorial” demais — ou seja, o editor tenha começado a ter menos força do que ela ao praticar sua tarefa de cortar partes desnecessárias…

Não me entendam mal: não estou dizendo que a saga desanda a partir daqui; estou dizendo que ela poderia terminar com um 10/10 se os livros seguissem a mesma média de páginas do terceiro livro, por exemplo. Deve ser o problema das grandes obras — excesso de palavras, rs, assim como O senhor dos anéis.

De qualquer forma, o próximo é A Ordem da Fênix, o quinto da série, que ainda não li e que é ainda maior que o quarto livro. Não me lembro por quê pulei esse livro, já que li o sexto, então agora se torna a hora perfeita de descobrir se os excessos vão até o final ou se a falha dos excessos é pontual, uma vez que não notei tal problema na primeira leitura de O enigma do príncipe.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O Arquivo dos Sonhos Perdidos


E chegou, finalmente, o dia! O arquivo dos sonhos perdidos está finalmente lançado, em formato físico, e-book e audiobook!


Para comprar a versão física, acesse o Clube de Autores;

Para comprar o e-book, acesse a Amazon;

E para ouvir o audiobook, acesse esse post do Leitor Cabuloso ou procure pelo título do livro em seu agregador de podcasts. Em ambos os casos, você já pode ouvir o primeiro capítulo.

Assim sendo, adicione O arquivo dos sonhos perdidos no Skoob, compre-o e valorize a literatura nacional :)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

CabulosoCast #188 — Eu :)


E quão grande não é a minha emoção em ver, bonitinho, lá no meu agregador de podcasts, o episódio 188 do inexorável, do indefectível, do inoxidável CabulosoCast  que trata do meu primeiro romance O arquivo dos sonhos perdidos...!


Nesse episódio, o host substituto Lucas Ferraz, o host do podcast LivroCast, Marcelo Zaniolo, e a mente megalomaníaca do mal André Wallace do site Anime-se, me entrevistam e falam sobre o meu livro, sobre as minhas inspirações, sobre minha escrita e puxam o saco de uma maneira agradavelmente incômoda, rs. Claro que eu queria ter gravado também com o Lucien o Bibliotecário, mas ele estava lá em espírito afinal ;)

Enfim. Para ouvir o programa, é só clicar no “episódio 188" ali no primeiro parágrafo, baixar o programa e dar o play — ou tacar no celular pra ouvir na rua, é em mp3 mesmo. Se quiser usar um agregador, baixe um para o seu celular (como Podcast Addict, ou Podcast Republic, que é o que eu uso, ou qualquer outro), assine o CabulosoCast e baixe o referido episódio.

Daqui dois dias — no dia 02 de dezembro de 2016 — vocês também poderão comprar o livro, é só esperar que eu disponibilizo os links :D

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um trecho marcante de Chuck Palahniuk


Os investigadores da polícia levaram o panaquinha pro centro num carro à paisana e aí subiram num prédio feio e sentaram com ele e sua mãe adotiva temporária, e perguntaram: Ida Mancini vinha tentando entrar em contato com você? 
Você tem ideia de como ela está se bancando? 
Por que, na sua opinião, ela tem feito essas coisas? 
E o garotinho ficou observando. 
A ajuda chegaria em breve. 
A Mamãe costumava pedir desculpas pra ele. As pessoas vinham dando duro há tanto tempo pra fazer do mundo um lugar seguro, organizado. Ninguém percebeu como ele ia ficar sem graça. Porque o mundo inteiro ia ser demarcado e ter sua velocidade limitada e rezoneado e tributado e coordenado, e todo mundo ia ser testado e registrado e endereçado e gravado. Ninguém tinha deixado espaço livre pras aventuras, fora as que se compram. Montanha-russa. Cinema. Ainda assim ia ser aquela coisa de empolgação falsa. Você sabe que os dinossauros não vão comer as criancinhas. Nesses testes de exibição, o público votou contra qualquer chance de desastre, mesmo que seja falso. E já que não existe possibilidade de um desastre real, de risco real, ficamos sem chance de salvação real. De júbilo real. De empolgação real. De alegria real. De descoberta. De invenção. 
As leis que nos dão segurança são as mesmas leis que nos condenam ao tédio. 
Sem ter acesso ao verdadeiro caos, nunca teremos paz de verdade. 
A não ser que tudo fique pior, nada vai ficar melhor. 
Era isso que a Mamãe costumava contar pra ele. 
Ela falava: 
— A única fronteira que ainda se tem é o mundo dos intangíveis. Todo o resto está amarrado, bem amarrado. 
Enjaulado por leis demais. 
Por intangíveis ela queria dizer a internet, os filmes, a música, as histórias, a arte, os boatos, os softwares, tudo que não era de verdade. Realidades virtuais. Os faz de conta. A cultura. 
O irreal é mais poderoso que o real. 
Porque nada é tão perfeito quanto se imagina. 
Porque a única coisa que dura são as ideias intangíveis, os conceitos, as crenças, as fantasias. Pedra se esfarela. Madeira apodrece. Gente, bom: gente morre. 
Mas coisas frágeis como um pensamento, um sonho, uma lenda, essas duram e perduram.
Chuck Palahniuk  No sufoco

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O mapa da podosfera brasileira


Sou apaixonado por podcasts — e quem me conhece sabe bem disso. Acompanho atualmente 34 deles, mas já ouvi episódios de muitos outros, dentre nacionais e gringos, e boa parte do que aprendi recentemente veio do incrível conteúdo que eles proporcionam. Não posso deixar de dar importância, também, aos episódios que vêm meramente para nos fazer dar risada e desanuviar nossa mente da brutalidade da vida real.

Assim, eu meio que sentia necessidade de “devolver" o carinho com que eles produzem para os ouvintes esse tipo de conteúdo — e então, após ouvir o Ivan Mizanzuk do AntiCast mencionar o grupo fechado do podcast do Facebook, a Cracóvia, e a suposta “terra" do Mundo Freak, o Freakistão. tive o “tchan" mental e desenvolvi essa ilustração:


É claro que é só uma brincadeira, e nenhum elemento nesse mapa se propõe a significar tamanho ou representatividade do podcast para a cena atual. Só fica claro que eu puxei sardinha para os que eu ouço mais, rs.

A todos os podcasters, mais uma vez, meu muito obrigado pelas infinitas horas de diversão! :D

(Para a imagem em tamanho estupidamente grande, CLIQUE AQUI.)

Atualização:
Conforme pedidos, seguem os podcasts retratados no mapa.

NerdCast
Matando Robôs Gigantes
RapaduraCast
99 Vidas
Reloading
O Melhor Podcast do Brasil
AntiCast
Feito por Elas
Salvo Melhor Juízo
Não Obstante
Três Páginas
Visual+Mente
Projeto Humanos
É Pau É Pedra
Radiofobia
Na Porteira
Mundo Freak
Ponto G
Crazy Metal Mind
Troca o Disco
Papo Lendário
CabulosoCast
LivroCast
LiterárioCast
Hora M
Agentes do LIVRO
O Drone Saltitante
PodEspecular
Ghost Writer
A Taverna do Fim do Mundo
Curta Ficção
Gente que Escreve
30:MIN
Hora Alucinógena
Os 12 Trabalhos do Escritor
Morango
O Arquivo dos Sonhos Perdidos
Ex Libris
Xadrez Verbal
Thunder Radio Show
Baião de Dois
Judão
[Os diversos podcasts de esportes da Central 3]
A Voz de Delirium
SciCast
Café Brasil
Papo de Cafeteria
SpheraCast
Falha Crítica
Dragões de Garagem
Escriba Café
Papo de Gordo
Papo de Fotógrafo
Um Milkshake Chamado Wanda
Miçangas
GVCast
Pelada na Net
O Nome Disso É Mundo
UltraGeek
BiboTalk
Irmãos.com
Minutos de Silêncio
Galera do RAU
Melhores do Mundo
Não Ouvo
PQPCast
LíderCast
LexCast
Jogabilidade
BrainCast
Mamilos
Caixa de Histórias
Zing!
Mupoca
Spoilers Talk Show
Pouco Pixel
Tecnicalidade
Naruhodo
Código Aberto
BeerCast
Papo H
Meia-Lua Cast
Iradex Podcast
PH Santos Show
Sem Fim
Sete Reinos
Pilotando
[E uma homenagem aos demais podcasts, com a Ilha dos Iniciantes e a União dos Estados Podcastais Independentes]


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Meu Podcaster Secreto

(Texto roubado na cara dura do Covil Geek kkk)



Olá, car@s ouvintes e leitores!

Depois da brincadeira do Dia do Podcast, resolvemos fazer uma nova campanha e dessa vez você é o nosso convidado especial!

O ano de 2016 foi um ano cheio de trabalho e amizades. Trabalhamos e criamos o ano todo e chegamos até aqui graças ao apoio que vocês nos dão! Então, resolvemos aprontar de novo…

Vai ter campanha sim, vai ter brincadeira sim, vai ter prêmio sim!

Não queríamos que a brincadeira de fim de ano ficasse somente entre a gente. Então, decidimos criar uma maneira que vocês também pudessem participar de alguma forma. Pensando na tradição das brincadeiras de Amigo Secreto onde damos dicas para as pessoas adivinharem quem sorteamos, pensamos em fazer algo parecido. Mas neste caso quem tentará acertar não será o Amigo Secreto… serão vocês!!!

A brincadeira é nossa, o prêmio é seu!!! (ok, sabemos que isso é um clichê, mas não resistimos…)

Vocês já conhecem os participantes da podosfera e de canais, blogs e livros. Fizemos um sorteio de amigo secreto e vocês tem a missão de pegar nossas dicas e adivinhar quem tirou quem.

As 4 pessoas que acertarem o maior número de amigos secretos irão ganhar um presente enviado por nós!!!

Espera um pouco, como assim??? Bem, deixa eu explicar melhor:

Entre os podcasters, blogueiros e youtubers que fazem parte do #MeuPodcasterSecreto, contamos com 17 pessoas. A lista dos participantes (com seus respectivos sites) estarão no final deste texto.

No período entre 15/11/2016 à 09/12/2016, todos nós iremos postar (em nossas redes sociais, sites, podcasts ou vídeos) dicas de quem é nosso amigo secreto, pelo menos uma vez por semana usando a hashtag #MeuPodcasterSecreto. Atenção: quanto mais pessoas você acompanhar, mais chances têm de acertar, de ganhar um dos prêmios e mais produtores de conteúdo você conhecerá!

Quando tiver seus palpites, você deve preencher esse formulário AQUI. Cada pessoa poderá enviar quantos formulários quiser e as 4 pessoas com a maior quantidade de acertos ganham a brincadeira e irão receber um presente cada!

Em caso de empate, ganha quem tiver enviado o formulário primeiro.

Você pode enviar seu formulário até dia 11/12/2016!!!

Entre 12/12/2016 e 16/12/2016, cada um de nós irá revelar seu amigo secreto em seu site/canal/podcast, então fique de olho! ;)

A revelação dos 4 ganhadores será dia 21/12/2016. Entraremos em contato e os ganhadores deverão enviar seus dados para a entrega do presente até 31/12/2016. Os prêmios serão enviados para vocês logo em janeiro de 2017, então você começa o ano com presente!


CRONOGRAMA OFICIAL:

Pegue nossas dicas em nossas mídias sociais de 15/11 a 09/12/2016
Envie seus palpites do #MeuPodcasterSecreto pelo formulário até o dia 11/12/2016
Acompanhe nossa revelação do #MeuPodcasterSecreto de 12/12 a 16/12/2016
Veja se você é um dos ganhadores do concurso em 21/12/2016
Ganhadores, nos envie seus dados até até 31/12/2016
Enviaremos seus prêmios em Janeiro/2017

Boa sorte! Que os jogos comecem e sorte esteja sempre a seu favor!!!


LISTA DOS PARTICIPANTES E ONDE VOCÊ PEGA AS DICAS:



Arita Souza – Canal Dobradinha Literária

Bruno “O Frango” Assis – Canal Estamos em Obras
Twitter: @ofrango

Diego Lokow – Podcast LivroCast
Twitter: @Lokow e @LivroCast

Domenica Mendes – Podcast CabulosoCast
Twitter: @domenica_mendes

Du – Podcast Covil de Livros

Larissa Siriani – Escritora e Podcast LiterarioCast
Titter: @LarissaSiriani

Leonardo Mitocondria – site Mitografias e Podcast Papo Lendário
Twitter: @leonardo2099

Lucas Ferraz – Podcast CabulosoCast
Twitter: @ferraz_lucas

Luís Beber – Podcasts 30:MIN e Hora Alucinógena
Twitter: @beber_luis

Marcelo Zaniolo – Podcast LivroCast
Twitter: @celo_zaniolo e @LivroCast

Mario Marcio Felix – Site Sphera Geek
Podcast/Site: http://spherageek.com/
Twitter: @MMFelix

Paulo Carvalho – Podcast Caixa de Histórias
Twitter: @caixa_historias

Priscilla Rúbia – Podcast CabulosoCast
Twitter: @Priscilla_Rubia

Sr. Basso – Podcast Covil de Livros

Rodrigo Rahmati – Escritor/Blogueiro/Leitor Cabuloso
Twitter: @rodrahmati

Nilda – site Mitografias e Podcast Papo Lendário
Twitter: @nildaalcarinque

Thiago Simão – site Sphera Geek
Podcast/Site: http://spherageek.com/
Twitter: @_ThiagoSimao

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Um trecho marcante de Gustavo Magnani


Acordei e não quis um homem pra beijar, um deus pra orar ou uma mensagem de fé. Quis o abraço de Mamãe: que chegasse pela porta, portando o sorriso que nunca vi em seu rosto, os elogios sempre engasgados, os olhos ternos e maternos escondidos atrás da carranca evangélica e os ouvidos atentos como jamais estiveram, usando vestido colorido, cabelo solto, por que não, um pouco da maquiagem? Trazendo um presente, ou um pedaço de bolo, talvez um refrigerante e um filme. 
Pobre de mim, se viesse, seria de saia jeans, ombros caídos, cabelos longos e presos, quase ensebados, cara de quem não vê água há semanas e cheiro de quem nunca viu, quase que podre, como se estivesse largada pra morrer. Passos lentos porque não há pressa quando se tem a eternidade. Voz estridente, firme, de quem nunca titubeia ou baila, sempre reta e íntegra, não há desvio! Fato para ela é algo inexistente, beira o mito, o risível, tudo é fator de opinião e a sua, sempre, a correta, pois é deus quem vigia: tá na bíblia, tá nos anais! 
Mamãe jamais falaria anais, é lógico, preferia chamar de cuzinho. Mas disso o senhor já sabe.

Gustavo Magnani — Ovelha: Memórias de um pastor gay, 2015

sábado, 5 de novembro de 2016

Grande irmão, de Lionel Shriver


Dá para gostar de um livro sem gostar de seu final? Ou é uma experiência completa — o livro todo, sendo impossível dissociá–lo de seu meio, ou início, ou final…?

Porque esse foi o caso — e já aviso que esse post TEM SPOILERS — do romance Grande irmão, da escritora Lionel Shriver. Detalhe importante: esse spoiler é do tipo que arruina a leitura.

Continue por sua conta e risco.


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Sobre os extremismos


(Texto de Juliana Lopes, editado por mim; vídeo de Clarion de Laffalot)



Adorei o vídeo. Reflete tudo o que penso.

Acho desnecessária a utilização de rótulos; na minha opinião eles só ajudam a propagar intolerância, preconceito, discriminação, opressão, ofensas, violência, discurso de ódio e agressões gratuitas.

Sou contra o extremismo de qualquer natureza (seja da rotulada “direita”, seja da rotulada “esquerda”). Será que não é possível ser centro?

Será que não é melhor e mais sensanto pegar os ideais dos dois lados —lado A e lado B— e usar as melhores ideias? As que propagam amor, respeito e tolerância às diferenças?

Vale lembrar que os extremismos sempre foram os grandes responsáveis pelos regimes cruéis, desumanos, torturadores, intolerância e violentos ao longo da história da humanidade (independentemente se eram da “direita” ou “esquerda”, se era do lado A ou do lado B), assim como os vários períodos de escravidão de diferentes povos e ditaduras (nazismo, fascismo, stalinismo, militar, etc) pelos quais passamos.

Sou a favor do Estado Democrático de Direito. Sou a favor de um país mais justo, livre, solidário, sem preconceitos e discriminações — e mais igualitário.

Sou a favor da independência e harmonia dos poderes executivo, legislativo e judiciário.

Sou a favor do pluralismo de ideias.

Sou a favor do amor, da solução pacífica dos conflitos, do respeito e tolerância às diferenças.

E de lembrarmos que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário devem trabalhar para a sociedade de maneira democrática e imparcial, pois seus servidores são públicos e tem o dever de trabalhar para o povo, cumprindo assim o papel que lhes foi incumbido — e não trabalhar para o interesse de poucos, com parcialidade e por interesses particulares.

Não é porque sou contra a PEC 241, porque sou contra o governo Temer que tenho que ser tachado de “esquerdopata” ou comunista — e não é porque não fui a favor do “governo Dilma” que devo ser tachado de “coxinha” (existe “direitopata”…?).

Posso querer que o Lula (PT) seja preso e também ter desejado a prisão de Eduardo Cunha (PMDB (ou ex agora né))?

Posso votar no Raul Marcelo (PSOL) para assumir o governo municipal de minha cidade e nas eleições para presidente, governador, senador e deputados escolher outro candidato de partidos como PSDB, DEM, PMDB, etc?

Será que posso escolher ser centro?

terça-feira, 11 de outubro de 2016

As capas mais bonitas da minha estante!


Não adianta, os e–books jamais vão superar os livros físicos para mim, e por um simples motivo: adoro os livros como objetos. Adoro folheá–los, adoro sentir a textura das folhas, as tipografias impressas… e as capas. Capas bem feitas são deleitosas para os olhos, e enriquecem grandemente as histórias. Para mim, eles são em muito responsáveis por dar um clima à história — ou, ao menos, sugerir esse clima. E quando começo a leitura de um livro com uma bela capa me sinto mais propenso a apreciar a história. Então, quero compartilhar com vocês, leitores, os livros com as capas mais bonitas que tenho em minha estante!




Essa é uma obra de arte. Impressa é ainda mais bonita. Os tons de laranja e vermelho são vivos e a textura da capa até sugere a granulosidade da tempestade de areia representada.

* * *




Da série Percy Jackson e os Olimpianos eu gosto muito dessa. Gosto dos amarelos sobre o preto–e–branco, gosto do ângulo do desenho — o Pégaso e Percy contra o Empire State Building —, gosto da tipografia do título… Uma capa marcante, para mim.

* * *




Adoro essas capas gráficas também, não só as com ilustrações. Essa, do Fahrenheit 451, é muito bem desenhada. E se tem uma coisa que eu gosto em capas são cores fortes — especialmente a vermelha e a azul.

* * *




Dezoito de Escorpião já ganhou uma nova edição — coisa rara para a ficção científica nacional —, com uma nova capa, mas que me desculpem a editora Draco e o próprio Alexey, mas a capa da primeira edição é imbatível! (E estaríamos notando um padrão…? Cores quentes seriam a preferência?)

* * *




Marc Simonetti é meu desenhista de capas preferido. Esse é outro dos grandes trabalhos dele, e, apesar dos ótimos desenhos também da série As crônicas de gelo e fogo, essa é a associação Martin+Simonetti que mais me agrada.

* * *




Essa capa exemplifica exatamente o que eu quis dizer sobre o clima que a capa passa durante a leitura — para quem não jogou o game Bioshock, como eu, essa ilustração traz a compreensão que falta durante a narrativa, e a complementa perfeitamente. Além de ser uma bela ilustração.

* * *




A simplicidade a serviço da beleza. O azul sobre o preto é muito agradável no livro impresso, e o jeito que o título foi composto casa perfeitamente com o tema, na minha opinião. A capa de Encruzilhada é a prova de que nem sempre uma ilustração é necessária.

* * *




As capas da editora Alfaguara já são uma belezinha, padronizadas como são, mas a capa de Lolita é mais um exemplo de um minimalismo que serve grandemente a um design eficiente e chamativo.

* * *




O livro nem é lá essas coisas (apesar de ser bom, sim), mas permaneceu na minha estante depois da leitura por causa dessa capa simplesmente LINDA.

* * *




E, por último, a trilogia Comando Sul do Jeff VanderMeer. Assim, digitais, essas capas não mostram tudo o que elas têm a oferecer. Se já são bonitas assim, na mão, no livro físico, os contornos dos animais são todos brilhantes, quase fosforescentes — o primeiro verde, o segundo azul e o terceiro rosa —, e fazem um conjunto incrível, assim, como na foto, um do ladinho do outro.

*

Mas e aí — o que acham dessas capas? Quais são as suas preferidas?

domingo, 9 de outubro de 2016

Três contos gratuitos que vale a pena ler!


Tenho um problema muito sério com o meu aplicativo Kindle: não tenho cartão de crédito, então tenho que ficar restrito às obras gratuitas da plataforma. No entanto, isso não significa, de forma alguma, que fico sem ler coisas bastante interessantes.

Devo admitir, ainda, que não troco os romances físicos por e–books — então, uso o Kindle para ler contos e revistas (de contos kkk). Tenho, assim, descoberto uns bem legais, e vou dividir com vocês agora três deles.

1 • A espada de Quenai, de Ricardo Santos

Quenai é uma guerreira — mas uma guerreira cansada. Está no meio de uma missão, tentando descansar, quando é retratada nesse conto de Ricardo Santos… e também quando é encontrada por um grupo, liderado por outra mulher, que — nitidamente — não está ali para oferecer a ela uma vaga num spa. O conto é essencialmente o que resulta do encontro de Quenai com essa oponente, mas é bem escrito e apresenta um mundo fantástico que são suficientes para desejar saber mais sobre a protagonista e sobre sua aventura.

Esse conto pode ser encontrado diretamente na loja da Amazon (acabo de descobrir que não está mais gratuito, acho que o consegui gratuitamente numa promoção (não me lembro bem), mas agora, de qualquer forma, ele está baratinho).




2 • Saltimbanco, de Marcelo A Galvão

Já conhecia o autor pelo ótimo conto Vida e morte do último astro pornô da Terra, presente na antologia Imaginários vol. 3, e esperava algo no mesmo nível. E encontrei. Nesse conto, acompanhamos Gapu, assistente do saltimbanco Montani, que só queria ser tão bom quanto ele. É louvável quanto a pessoa tem um objetivo e se empenha em atingi–lo. O problema é quando se perde a noção dos meios empregados para se chegar a esse fim…

Esse conto também pode ser encontrado diretamente na loja da Amazon — e esse, sim, gratuitamente.





3 • Dodge, de Clara Madrigano

Lita, a protagonista desse conto, leva o cão Dodge para o seio de uma família desestabilizada, longe de qualquer ideal que se pode ter de "lar". Dodge funciona, então, meio como que um esteio para uma possível estabilização… mas é claro que não. "Não" porque é um conto da Clara Madrigano, e "não" porque senão não teríamos um conto que começa com alguém conversando com uma psicóloga ou psiquiatra.

Este também é gratuito, e pode ser encontrado no Wattpad.




Bonus track • A noiva do rei dos mares, de Sayuri Higa

Como uma das obras acabou não saindo de graça como eu prometi no post (e eu não queria deixá–la de lado porque é boa), trago esse conto, que é quase uma fábula — e muito bela —, sobre a jovem Natsuki, oferecida ao dragão marinho Ryūjin em casamento como uma oferenda.

Também gratuito, é outro que pode ser encontrado no Wattpad.



terça-feira, 4 de outubro de 2016

A lição de anatomia do temível Dr. Louison, de Enéias Tavares


Caro leitor,

Uma expressão define A lição de anatomia do temível Dr. Louison para mim: uma grata surpresa.

Talvez, no início, você tenha algum nível de dúvida quanto à obra. Você pode, como eu outrora fiz, predispor-se contra a dita “literatura nacional”, imbuído de certos pré-conceitos. Isso, contudo, não é de todo inesperado — ainda que seja algo que está, felizmente, mudando em nossas terras tupiniquins. Se você, digníssimo leitor, tem ou teve esse tipo de impressão negativa pré-concebida, proponho-lhe então um jogo simples: Vá até aquele lugar onde você viu o A lição de anatomia por último. Pegue o livro, ignore a sinopse na quarta capa, pule igualmente as primeiras páginas e leia dois parágrafos da página 17, intitulada Noitários de Isaías Caminha. Se, ainda assim, você não se sentir impelido a comprar a obra, compre-a assim mesmo, porque um dia você, olhará para ela, pensará “por que não?”, e então, nesse dia, você a lerá e me agradecerá. Eu, no entanto, duvido que qualquer um fique indiferente perante a qualidade da escrita do autor, um certo Enéias Tavares. (Dizem, inclusive, que ele será um dos que ficarão marcados no rol de grandes autores de nossa nação; eu, particularmente, não ficarei surpreso se assim o for.)

Estou certo que, nesse momento, você, seletíssimo leitor, está pensando: mas sobre que diachos é afinal essa tal lição de anatomia? E quem é esse doutor tão temível?





domingo, 25 de setembro de 2016

Brasyl, de Ian McDonald


Não pensei duas vezes antes de colocar o livro Brasyl, do britânico Ian McDonald, como favorito no Skoob, porque, caramba, que livro bom! Já enumero os adjetivos logo de cara para não ficar me repetindo: divertido, frenético, inquietante, criativo…

Divertido porque cada uma de suas três linhas temporais apresenta uma história —de início, aparentemente— diferente da outra, e todas elas com elementos bastante característicos e bem apresentados. Boa parte da diversão, ao menos para mim, foi em entender aquele mundo, porque o autor não perde tempo explicando nada; vai jogando ação e diálogo na sua cara e você que se vire para ambientar a história. Isso, contudo, não é difícil — e menos ainda na linha narrativa que se passa em 2006, no Rio de Janeiro. Outra das linhas se passa em 2032, em São Paulo, e a terceira em 1732 no coração da Floresta Amazônica. Melhores escolhas não haviam para representar o nosso país — e calma, eu ainda vou chegar nesse assunto.




segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Universo desconstruído, organizado por Lady Sybylla e Aline Valek


O tempo da supremacia absoluta das editoras no mundo literário chegou ao fim com a plataforma Clube de Autores.

Ok, não exageremos; não é bem assim. Contudo, há algo de verdade nessa frase. Até pouco tempo, o único meio de ingressar no mercado literário e ver sua obra chegar a qualquer lugar era, sim, uma exclusividade daqueles que eram escolhidos pelas poderosas editoras — agora, essa referida plataforma permite que você “suba” o arquivo de seu livro e o venda, através do site, impresso, encadernado, no formato de livro, bonitinho, para qualquer lugar, e ganhando o quanto você quiser. Isso permite que autores que estão perdidos no imenso mar de originais em que os editores naufragam finalmente façam suas obras verem a luz e atingirem os tão esperados leitores. O problema é que também permite que obras que jamais passariam por qualquer tipo de crivo minimamente consciente também tenham sua chance, mas, como a plataforma permite que se veja —e leia— as primeiras páginas de cada obra, cabe a cada um filtrar e descobrir o que realmente vale a pena ali. E essas obras existem, e cabe a nós, produtores de conteúdo online, descobri-las e levá-las ao conhecimento geral.

E é aqui que entra a antologia Universo desconstruído: Ficção científica feminista, organizado pela Lady Sybylla e pela Aline Valek: é uma obra ótima, auto-publicada pela Clube de Autores e que não deve nada a nenhuma publicada por editoras tradicionais!



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Um trecho marcante de Douglas Adams #2


A história da Galáxia ficou meio confusa por dois motivos: em parte porque aqueles que tentavam acompanhá-la ficaram meio confusos, mas também porque coisas incrivelmente confusas aconteceram de fato. 
Um dos problemas tem a ver com a velocidade da luz e com as dificuldades encontradas em tentar ultrapassá-la. Não dá. Nada viaja mais rápido que a velocidade da luz, com exceção talvez das más notícias, que obedecem a leis próprias e especiais. Os Hingefreel de Arkintoofle Menor bem que tentaram construir naves espaciais movidas a más notícias, mas elas não funcionavam particularmente bem e, como eram extremamente mal recebidas sempre que chegavam a algum lugar, não fazia o menor sentido estar lá. 
Então, de modo geral, as pessoas da Galáxia acabavam ficando entretidas com suas próprias confusões locais e a história da Galáxia em si foi, por um bom tempo, basicamente cosmológica.




terça-feira, 30 de agosto de 2016

Um trecho marcante de Jeff VanderMeer


“Ave fantasma, você me ama?”, sussurrou ele uma vez na escuridão, antes de partir para o treinamento para a expedição, mesmo sendo ele então o fantasma. “Ave fantasma, você precisa de mim?”
Eu o amava, mas não precisava dele, e achava que era assim que as coisas deveriam ser. Uma ave fantasma podia ser um falcão em um lugar e um corvo no outro, dependendo do contexto. O pardal que disparava em voo no céu azul em uma manhã podia se transformar em uma águia-pescadora em pleno voo na manhã seguinte. As coisas eram assim, aqui. Não havia razões tão poderosas a ponto de sobrepujar o desejo de estar em harmonia com as marés, com a mudança das estações e com os ritmos que regiam todas as coisas ao meu redor.
Jeff VanderMeer - Comando Sul vol. 1: Aniquilação, 2014


Fotografia de Ed King