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domingo, 11 de outubro de 2015

Alif, o invisível, de G Willow Wilson


Ler Alif, o invisível foi experienciar uma completa reversão de preconceitos. Não sei bem por quê, mas desde que foi lançado, o vi nas prateleiras das livrarias e não me motivei muito a comprá-lo (ajudou o preço em que os livros estão hoje em dia, nunca fugindo do intervalo R$ 30-50 para romances de tamanho tradicional). Encontrá-lo novo num sebo a R$ 19,90 ajudou a quebrar o bloqueio. Outra coisa que ajudou (e é uma coisa completamente besta, eu sei) foi a fonte em que o livro foi composto pela Rocco — a Centaur, a fonte em que escrevo e a que mais gosto. Bendita Centaur, hehe, porque li um dos livros que mais gostei esse ano.

Como não gosto de "resenha release", vou enumerar aspectos do livro que gostei — a sinopse o leitor pode achar no link para o Skoob lá em cima. Primeiramente, os personagens.

Alif, o personagem principal, é um produto criado pelo seu ambiente (o Oriente Médio) — ainda que subvertendo-o. Um hacker revolucionista, mas pode-se dizer que uma pessoa comum, mediana. Preconceituoso como boa parte de seus conterrâneos, apesar de sua inteligência. Como se percebe numa parte do livro, alguém que anseia pelas mudanças, mas, quando elas vêm, percebe que até preferia continuar na mesmice, meramente pelo medo do novo. Um carinha irritante, mas muito bem construído. Dina, sua amiga, é praticamente o oposto dele — apesar de ser extremamente religiosa (optando por um caminho tradicional demais até mesmo para os seguidores normais do Islam), é mais mente aberta para muitas coisas do que Alif. Vikram é um cara engraçadíssimo, também muito bem construído, e, não sei por quê, imaginei ele com a cara do Johnny Depp o tempo todo. O xeque Bilah é o exemplo do que um líder religioso deveria ser: segue sua religião interpretando-a e adaptando-a aos tempos modernos, e não com um cabresto. Suas reflexões são incríveis. O outro hacker, NewQuarter, vive os conflitos entre sua condição social e suas aspirações — e aparece na hora certa, hehe. A convertida, que só é chamada assim, nos apresenta as dificuldades em se adaptar e se incluir em uma cultura tão diferente da sua (seria um reflexo do que a própria autora enfrentou?). Agora, sem dúvida, a personagem que mais dá raiva na gente é a talzinha da Intisar; ô menina escrota! Suas motivações, contudo, são perfeitamente compreensíveis... infelizmente. Os outros personagens que ajudam no decorrer da história são mais planos, mas nem por isso mal construídos, e isso não chega a incomodar.

Gwendolyn Willow Wilson escreve muito bem — e confesso que, em muitos momentos, me lembrei da escrita de Neil Gaiman, e isso só pode o maior dos elogios. Como dito no episódio 83 d'O Drone Saltitante, a obra tem um quê de Deuses americanos — que muito me agradou. A narrativa é fluida e mescla com perfeição momentos mais light com pesadas críticas, tanto à política, às divisões sociais, ao preconceito e ao extremismo religioso. Wilson apresenta os aspectos culturais dos árabes com maestria, e conseguimos até mesmo compreender atitudes religiosas que antes poderíamos simplesmente rechaçar, simplesmente por sua completa diferença em relação ao que consideramos cotidiano e "normal" por aqui. A trama pode até ser considerada simples — mas você só percebe isso ao final do livro. No começo, é difícil saber o que está realmente acontecendo — e isso é excelente, porque nos transporta perfeitamente para o papel de Alif, que vê sua vida se torcer e quebrar de formas verdadeiramente nauseantes, ao perceber que, por trás do véu da realidade, existem muitas coisas a mais do que podemos ver... ou do que queremos ver? Confesso que, como não gosto de ler nem resenhas nem sinopses antes de ler os livros, até mesmo o gênero da história tive dificuldade em precisar, no começo. Mais um ponto para a autora por isso — e são tantos pontos positivos que só lendo mesmo para apreendê-los todos.

Alif, o invisível é uma fantasia urbana respeitável, aventuresca e com toques de ficção científica. Provavelmente vai ser a minha escolha de "surpresa do ano" na retrospectiva de 2015; vai ser difícil achar outro livro, ainda esse ano, que destrua meus preconceitos de forma tão devastadora quanto esse o fez. Todo tipo de preconceitos. Você, leitor, também devia rever os seus.

Você só vai entender por quê essa imagem está aqui quando ler o livro :)

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