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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Podcasts: Alô Ténica, AntiCast e BrainCast


Continuando os posts onde apresento os podcasts que eu assino, trago agora três programas dos quais não ouço absolutamente tudo o que lançam, mas que, ainda assim, gosto bastante.



Esse programa é produzido e apresentado pelo Léo Lopes, e é um spin–off do podcast Rádiofobia. Nele, o Léo dá dicas e divide sua experiência no tocante à edição, produção e publicação de podcasts — ou seja, é praticamente uma metalinguagem, um podcast sobre podcasts. O "ténica", sem o C, inclusive, é grafado e falado assim propositalmente, como um jargão. O Léo Lopes é um excelente produtor e comunicador, e acompanhar esse programa é indispensável para quem se dedica ao formato. O Alô Ténica é um podcast mensal, distribuído por um feed próprio mas também pelo feed do Rádiofobia.


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O AntiCast é um dos maiores podcasts brasileiros da atualidade. É apresentado pelo Ivan Mizanzuk e começou como um podcast de design — ou de antidesign —, mas acabou evoluindo para ser um programa sobre... tudo, desde memes até política, religião, literatura e cinema. São sempre programas longos, beirando as 2 horas de duração, e é semanal. Como não tem muita edição — no máximo a vinheta inicial, uma trilha de fundo e nada mais —, às vezes eles gravam sobre temas urgentes até mesmo um dia antes do lançamento do episódio. O Ivan deixa os convidados bem à vontade para exporem suas opiniões, mesmo sendo polêmicas, e isso traz um diferencial bem legal para o programa. Eu só não ouço mesmo os episódios sobre política, porque já estou, honestamente, de saco cheio disso, e filosofia, por não me interessar muito pelo tema quando discutido a fundo como eles fazem.


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Esse é o principal podcast do portal B9. É essencialmente sobre comunicação e entretenimento, e é apresentado pelo time Carlos Merigo, Luiz Yassuda, Cristiano Dias, Guga Mafra e Luiz Hygino. Os episódios do BrainCast têm em torno de 1h30, e são bem dinâmicos e descontraídos. Só não ouço tudo porque não são todos os temas que me atraem, não sendo tão interessado na área de comunicação, e tendo a ouvir os temas mais genéricos que acabam não sendo abordados pelos meus programas preferidos.


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Podcasts: 30:MIN, 99Vidas e Agentes do L.I.V.R.O.


Como no post sobre os podcasts que eu ouço eu disse que comentaria sobre cada um, este é o primeiro post dessa série, onde apresentarei 3 programas dos quais ouço tudo o que lançam.



Este é um podcast de literatura, apresentado por uma equipe fixa de três pessoas — o Vilto Reis, a Cecília Garcia e o Jefferson Figueiredo — e editado pelo Luís H Beber, que eventualmente participa também das gravações. Eles tentam sempre lançar programas dentro da casa dos 30 minutos de duração, e são os herdeiros, digamos assim, do antigo podcast LiteratusCast. São publicados pelo site Homo Literatus. Eventualmente aparecem convidados, mas não é o padrão.

O foco desse pessoal é mais a literatura realista, a mainstream, tendendo para a literatura clássica. Existem tanto episódios que falam de apenas uma obra como episódios falando de autores, temas, listas e duelos muito engraçados entre os participantes, onde um tenta desmerecer a escolha do outro, dentro de um tema. No começo acho que eles exageravam um pouco nas piadas, mas agora eles encontraram um equilíbrio legal. Altos níveis de japonezices, sapos alucinógenos e complexos de Napoleão inclusos.


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Dois temas são recorrentes na minha playlist de podcasts: literatura e videogames. Nesse segundo tema, o 99Vidas é o maior podcast do Brasil. Eles têm uma longa tradição — já estão no episódio 276 —, uma enorme base de fãs (às vezes apaixonados até demais) e lançaram até mesmo um game beat'em up side-scrolling (traduzindo kkk: um jogo de briga de rua em progressão lateral) baseado nos participantes do programa e nas piadas internas dos episódios.

O 99Vidas fala essencialmente de jogos antigos e da nostalgia relacionada a eles. Existem os episódios que falam de apenas um jogo ou uma personalidade do mundo dos videogames; os 2-Pak, que falam de dois jogos geralmente menores; os 4x4, que apresentam quatro coisas — jogos ou consoles, às vezes; os Estilo 99Vidas, que falam de coisas saudosas da época da infância; e os Pancadão, com trilhas sonoras dos jogos. Como todo programa grande, de qualquer gênero ou mídia, os quatro podcasters — Jurandir Filho, Izzy Nobre, Evandro de Freitas e Bruno Carvalho — parecem ter, em igual número, admiradores e haters.


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E voltamos à literatura. Esse é um podcast que eu gosto muito, porque a dinâmica dele é diferente — é sempre um bate-papo entre os dois hosts, Melanie e Thiago (à semelhança do gringo Sword & Laser e do brasileiro O Drone Saltitante, dos quais vou falar futuramente). Eles tratam exclusivamente de literatura especulativa — fantasia, ficção científica e terror. Infelizmente eles estão num hiato desde março, e espero que não desistam :(

O mais legal é que eles têm um entrosamento muito gostoso, e falam tanto de autores e obras quanto de aspectos da escrita. E eles fazem direto tags e listas, que todo mundo adora :D


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domingo, 6 de agosto de 2017

Um trecho marcante de Antônio Xerxenesky


“Quer uma menina para a noite? Ou prefere alguém mais experiente, alguém que esteja à altura de um homem como o senhor…?”
E escorregou a língua na orelha de Thornton, num prolongamento da palavra “senhor”. 
A face do xerife corou inteira. Não ficou claro se por vergonha ou raiva. Ele se levantou, jogando a mão de Maria para o lado, e parado ficou, como para dizer algo, mas nada disse. Tentou exibir o maior desprezo que era possível apenas com o olhar, pois homem vivido era Thornton. 
Ele sabia que naquela terra, que naqueles tempos, o que importava era o que os olhos diziam. Palavras não tinham significado para as pessoas. Eram mal utilizadas. Eram confusas. Eram pervertidas e profanadas por monstros que não sabiam o que fazer com a linguagem. O relevante estava na curvatura da sobrancelha, na tensão dos músculos da face, nas rugas que se formavam na testa. Na paisagem do rosto. Cada rosto era uma montanha 
ou uma floresta 
ou uma planície 
ou um litoral 
ou uma costa 
ou um cânion 
ou um deserto 
como o que cercava Mavrak.

Antônio Xerxenesky — Areia nos dentes



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Podcasts que eu ouço


Quem me acompanha há mais tempo aqui no blog sabe que a mídia podcast tem ganhado um espaço cada vez maior no meu coração (e no tempo escasso tempo, hehe). Tanto é que eu comecei um podcast próprio — o Rock Pelo Mundo, no site Agregarium, onde eu apresento bandas de rock de diversos países —, e co–criei um com meus amigos Lucas e Matheus — o SobrEscrever, no site Leitor Cabuloso, onde discorremos sobre o ato de criar histórias com palavras.

Assim sendo, acho justíssimo apresentar a vocês os podcasts que eu acompanho, e talvez angariar mais alguns ouvintes para eles :)

Vou separá–los em duas categorias: aqueles que ouço todo e qualquer episódio; e aqueles que ouço dependendo do tema. Não que eu goste mais de uns do que dos outros, é que... mentira, eu gosto mais de uns do que dos outros mesmo, fazer o quê, haha, tenho que ser honesto. Além disso — além de apresentar a lista deles, agora —, vou esmiuçá–los um pouco mais ao longo de posts vindouros, até completar TODOS OS 49 PODCASTS QUE ACOMPANHO :)

Então eis as listas:


PODCASTS DOS QUAIS OUÇO TUDO
(estão em ordem alfabética; não de preferência)
  1. 30:MIN
  2. 99 Vidas
  3. Agentes do L.I.V.R.O.
  4. Biblioteca de Bolso
  5. CabulosoCast
  6. Caixa de Histórias
  7. Clube do Livro CBN — José Godoy
  8. Crazy Metal Mind
  9. Curta Ficção
  10. Escriba Café
  11. Ex Libris
  12. Ghost Writer
  13. JPC Cast
  14. Lançamentos do Metal
  15. LiterárioCast
  16. LivroCast
  17. O Drone Saltitante
  18. Os 12 Trabalhos do Escritor
  19. Papo de Autor
  20. Perdidos na Estante
  21. Pouco Pixel
  22. RapaduraCast
  23. Sword & Laser
  24. Trasgo
  25. Três Páginas
  26. Writing Excuses

PODCASTS QUE OUÇO DEPENDENDO DO TEMA
(também em ordem alfabética)
  1. Alô Ténica
  2. AntiCast
  3. BrainCast
  4. Canal 42
  5. Covil de Livros
  6. Debate de Bolso
  7. Dragões de Garagem
  8. Edição Rápida
  9. Gente que Escreve
  10. Hora Alucinógena
  11. LexCast
  12. Marca Página
  13. Matando Robôs Gigantes
  14. Mundo Freak Confidencial
  15. NerdCast
  16. O Podcast é Delas
  17. Papo Lendário
  18. PapriCast
  19. Rádiofobia
  20. Rádiofobia Classics
  21. Reloading
  22. SpheraCast
  23. WattCast

Como vocês podem perceber, todos os nomes estão linkados para os devidos sites; logo, aguardem, em breve, o começo dos comentários sobre cada um ;)

sábado, 22 de julho de 2017

Extemporâneo, de Alexey Dodsworth


Se há uma coisa que é difícil eu fazer é comprar livros na pré–venda. Sei lá, não vejo urgência em ter algo que não seja de primeira necessidade — e, queiramos ou não, livros não o são. Para que isso aconteça, ou eu tenho que estar esperando desesperadamente um lançamento — cof cof, Os ventos do inverno, cof cof — ou o preço da pré–venda tem que estar lá embaixo. Pois bem: com Extemporâneo não aconteceu nenhum dos dois. Então por quê, Rahmati, você comprou esse livro antes do lançamento?

Simples: porque Alexey Dodsworth se encaminha perigosamente para ser o meu autor de ficção científica nacional favorito. Só não o afirmo abertamente porque ele tem um páreo duro no Luiz Bras.


Extemporâneo conta a vida de uma pessoa como todos nós, que acordamos todo dia num corpo e numa realidade diferente. A grande diferença é que o/a protagonista se lembra disso e nós não. (Ou, ao menos, é isso o que o/a protagonista nos diz.) Mas por que eu estou usando esse “o/a”? Uai, eu não disse que ele/ela acorda todo dia num corpo diferente? Mas tem, ainda, um elemento complicador: não é “todo dia”. É sempre dia 14 de janeiro de 2015. Os dias passados e futuros são ilusões, histórias criadas — pelo seu cérebro ou não — para dar a impressão de continuidade. Pense: você sempre vive no hoje, não é? O ontem é uma lembrança — que pode não ser real —, e o amanhã é só — e sempre — uma expectativa.

Assim sendo, nosso(a) digníssimo(a) protagonista acorda, para começar o dia, no começo do livro, no corpo de George Becker, um brasileiro que vive em uma realidade onde o nazismo é a filosofia reinante no mundo, e há um homem, amarrado nu na sala de estar, sendo torturado pela namorada e por ele — ou, para ser mais exato, pelo “eu” em que ele acaba de cair. Como eu disse, o/a protagonista é diferente dos outros; ele/ela demora a retomar as memórias do novo corpo, e ainda está lutando, nesse início, com as memórias da dançarina espanhola de dança do ventre que era sua identidade antes de dormir.

Mas chega da história e vamos à narrativa. Dodsworth, naturalmente, a constrói com maestria. “Naturalmente” porque eu já esperava isso, por ter lido o excelente Dezoito de Escorpião. Os elementos da história vão sendo apresentados no ritmo certo e de maneira muito eficaz para manter o interesse e aumentar a tensão com a situação esdrúxula que o/a personagem passa. Ele escreve muito bem, também, sem usar de malabarismos para “enriquecer o texto” — o que, invariavelmente, acaba empobrecendo–o. Ele diz o que precisa dizer com as palavras necessárias, assim como Gaiman. A única ressalva aqui é quanto ao trabalho de revisão da editora Presságio, que deixou passar muitos (muitos mesmo!) errinhos de digitação e diagramação. (A minha cópia teve até mesmo um capítulo inteiro repetido.) Há de se ter muito mais atenção quanto a essas coisas, senhores editores e revisores.

No entanto, é claro que isso não diminui a qualidade da obra. Dei 5 de 5 estrelas no Skoob, porque de fato é isso que ela merece. Extemporâneo desconstrói preconceitos, clichês e expectativas de maneira deliciosamente perturbadora :)

Arte de Alexandra Calisto. Não é da obra, mas tem tudo a ver :)

Ah, e já ia esquecendo: quem leu o Dezoito de Escorpião vai gostar ainda mais de Extemporâneo :D

.: E este acabou sendo, sem querer, o quarto livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros, por se encaixar no item “Um livro que se passe em diferentes reinos”! :.

sábado, 15 de julho de 2017

Um trecho marcante de Alexey Dodsworth #2


Pelo visto, essa realidade é como a maioria das outras: uma Inglaterra governada pela rainha Diana e pelo rei Charles. E eu que cogitei ter ido parar nos Estados Unidos! Esse é outro aspecto curioso de acordar em realidades alternativas: as pessoas mudam o tempo todo, tanto quanto eu mudo. Quase toda identidade é contingente. Entretanto, por alguma razão que me escapa, algumas pessoas parecem ser necessárias. Na maioria dos mundos, há uma rainha Diana e um rei Charles. Em alguns poucos, Diana foi assassinada, ou cometeu suicídio, ou fugiu com amantes de ambos os sexos. Sempre há, todavia, uma Diana. Em algumas poucas realidades bizarras, a rainha da Inglaterra de 2015 ainda é Elizabeth em uma versão assustadoramente idosa que dá a impressão de uma múmia ressurreta. Quase sempre há um Jesus Cristo, um Napoleão, um Hitler, um Albert Einstein. E um Michael Jackson! Eu adoro os mundos em que Michael Jackson é um cantor famoso, mas, apesar de ele sempre existir, nem sempre é cantor. Em uma das vezes, pelo que lembro, Michael Jackson havia morrido aos nove anos de idade, vítima de maus tratos parentais, e não passava de um nome num recorte velho da página policial de um jornal americano. A realidade, às vezes, é uma verdadeira bosta. Ora, a quem eu quero enganar? A realidade é sempre meio que uma bosta, a diferença está no tipo de fedor que ela exala.

Alexey Dodsworth — Extemporâneo



Só quero avisar: agora que estou na página 57, e já estou apaixonado por esse livro!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Teorema de Mabel, de Matheus Ferraz


.: Este é o segundo livro do Desafio Literário Clube de Autores, de um total de 7 livros! :.


Estou me animando com esse desafio literário! A primeira obra que li já foi a ótima Zé Calabros na Terra dos Cornos, e agora encontro essa também muito boa Teorema de Mabel…! Mas Rahmati, você está dando spoiler da sua avaliação…! Ué, e daí? Tenho obrigação de fazer resenha certinha? :P

Então, já sabendo que eu gostei bastante da obra, leia para descobrir por quê.


Mabel é uma menina que saiu do interior de Minas e foi para o mais–interior–ainda, em busca de um sonho: ser datilógrafa do maior escritor brasileiro vivo, Milton Dantas. (Aqui faço o primeiro parêntese: fui descobrindo aos poucos a época em que a obra se passava, através de poucas pistas soltas ao longo da trama. Ainda não decidi se gostei ou não disso.) Toda menininha, toda sonhadora, toda idealista, Mabel, ao chegar à residência do escritor, no entanto, se vê diante de uma realidade que não era, de forma alguma a que ela esperava. Ela fora escolhida por um motivo — que envolve sua máquina de escrever —, e essa revelação poderia, de fato, acabar com toda a sua essência.

Parece uma ideia promissora, não é? Qual leitor não quer ler histórias sobre livros, escritores e outros leitores? É praticamente um gênero esse tipo de obra, não? A dúvida é: teria Teorema de Mabel sido bem executada, a ponto de nos deixar imergir na trama e apreciá–la devidamente?

E eu digo: com alguns poucos erros, sim! Tanto é, que eu li o livro em praticamente “duas sentadas”, como se diz. Carece de uma revisão mais cuidadosa, mas isso não tira em nada o brilho da trama.

Então falemos dela. Eu não esperava que o livro fosse se tornar o que se tornou. Como eu disse no post do desafio, linkado lá em cima, eu imaginava que seria um realismo mágico mais light, como nos romances do Carlos Ruiz Zafón, mas Teorema não é nada disso! É um livro realista, e já percebi isso logo nas primeiras páginas. Então comecei a pensar que seria uma trama como a maioria das obras mainstream, com foco na forma e não na trama, mas a coisa seguia tão ágil que também não demorei a perceber que essa minha segunda visão também estava errada! Teorema tem uma trama sólida, interessante e bem armada. As personagens surpreendem, são verossímeis e as reviravoltas do final são surpreendentes mas nem um pouco exageradas. Tudo é construído de maneira crua e crível — talvez os dois melhores adjetivos para descrever essa obra, e em suas melhores acepções.

Teorema de Mabel não só merece a leitura como merece sair por alguma editora. Esperemos agora as próximas obras do autor, Matheus Ferraz, que parece ter um futuro promissor.

Nota 3,5 de 5.